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Luise Arbour: "Insurgência nacional transforma-se em guerra da Líbia contra o ocidente"

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Luise Arbour: "Insurgência nacional transforma-se em guerra da Líbia contra o ocidente"

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Com a zona de exclusão aérea sobre a Líbia e os líderes ocidentais a insistirem que a campanha não é para destituir o coronel Kadhafi, muitos se questionam sobre os resultados políticos (se houver) que podem ser obtidos com uma intervenção militar.

Connosco, está Louise Arbour, presidente do Grupo Internacional de Crise, que foi Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

euronews – Luise Arbour, considera que a zona de exclusão aérea não é a melhor via para uma ação da Comunidade Internacional na Líbia.

Porquê?

Louise Arbour – O Conselho de Segurança focou muito especialmente a proteção de civis e autorizou todas as medidas necessárias para o conseguir, como a zona de exclusão aérea, mas não se limitando a isso.

Agora esta resolução, contem muitas ambiguidades e eu acho que vamos ver isso à medida que as ações militares se desenvolverem no terreno.

euronews – Antes da adoção da Resolução 1973, a organização apelou a uma abordagem diferente, mais diplomática, incluindo um cessar-fogo, o envio de uma força de manutenção da paz e iniciar o diálogo.

Mas Kadhafi alguma vez dialogou?

Será que pode vir a fazê-lo?

Louise Arbour – Acho que não é prudente olhar exclusivamente para as opções militares.

A União Africana já tinha iniciado uma tentativa de negociação, enviou uma missão, o secretário-geral também lá tem um enviado especial, por isso acho que os esforços diplomáticos têm de continuar para acabar com todas as operações de combate e tentar encontrar consensos que permitam um espaço de democracia na Líbia.

euronews – Sim, mas a comunidade internacional tem alguma opção com o coronel Kadhafi a ameaçar populações civis?

Louise Arbour – Quando um líder de um país mostra sem equívoco que não terá misericórdia pelo próprio povo, o povo que está do lado dos rebeldes, obviamente que há causa de preocupação.

Agora a questão de fundo do debate é: trata-se apenas de uma zona de exclusão aérea ou de uma mudança de regime?

euronews – Acredita que a zona de exclusão aérea pode comprometer e dividir a coligação anti-Kadhafi? Que preocupações tem em relação a isto?

Louise Arbour – A perceção de uma ocidental, mesmo que o Conselho de Segurança tenha aprovado a operação militar, é que o conflito se transformou e passou de uma insurgência nacional para uma guerra entre o ocidente e os líbios.

E do mesmo modo, ainda mais preocupante é a possibilidade de isso poder levar a uma separação de facto do país, entre o leste, que será controlado e apoiado pelos rebeldes e a parte oeste do país, Tripoli, no centro, que vai continuar a estar sob controle de Khadafi

Este cenário pode levar a um impasse muito prolongado e doloroso.