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Europa vai ter de participar e retirar os imigrantes de Lampedusa

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Europa vai ter de participar e retirar os imigrantes de Lampedusa

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Falamos agora com Cone Galipo, responsável pelo centro de acolhimento para os emigrantes de Lampedusa. Bons dias, senhor Galipo.
 
 
O presidente do Conselho, Silvio Berlusconi, prometeu devolver Lampedusa aos habitantes da ilha daqui a dois ou três dias.
 
Enrico Bona, euronews - Acha que é um compromisso que vai poder manter se os barcos continuarem a chegar, coisa que parece provável?
 
Cono Galipo - Sim, na minha opinião podemos manter esse compromisso se os imigrantes forem transferidos à medida que vão chegando. Se há mil a chegarem num dia, esses mil têm de ser transferidos.
 
Caso contrário, em poucas semanas regressamos ao ponto de partida. As promessas do presidente Berlusconi são específicas: disse que por cada novo desembarque, terá barcos prontos para transferir os emigrantes que chegam.
 
A partir daqui, acho que podemos estar tranquilos: os habitantes de Lampedusa vão recuperar a ilha.
 
euronews – Que opinião lhe merece a falta de vontade, por parte de certas regiões italianas, em aceitar refugiados de Lampedusa?
 
C.G. – Desse ponto de vista, acho que a Itália é um grande país e estou certo de que todas as regiões, para lá das dificuldades, vão fazer o esforço de acolher e ajudar um desterminado número de emigrantes. Há um plano do governo, e acho que nas próximas horas vai estar operacional. Estou convencido de que cada presidente regional vai fazer a sua parte.

 
euronews - Que pode dizer da situação da ilha nestas últimas horas? As pessoas continuam a dormir em refúgios improvisados? Há água e alimentos?
 
 
C.G.- Para começar, podemos tranquilizar todos porque não há qualquer problema de falta de alimentos ou de falta de água.
 
Há água e comida para toda a gente. Além disso, estamos numa situação de emergência: temos um centro com capacidade para acolher 850 pessoas.
 
Neste momento há 5.800. Ontem pela noite, já eram 6200.  Pode imaginar as dificuldades que temos para poder oferecer um acolhimento adaptado, como costumamos fazer.
 
  

euronews – O presidente da república, Giorgio Napolitano, recordou que Lampedusa não é só a fronteira meridional da Itália, mas também a da Europa. Que ajuda espera da Europa?
 
C.G. - Acho que a Europa, tal como a Itália, vai ter de assumir o esforço de retirar os imigrantes de Lampedusa. Decerto vários países o farão, conforme nos informa diariamente o governo e o ministro de Interior. Transferir os emigrantes de Lampedusa exige um esforço adequado, porque se chegam aqui e não são transferidos, vamos ter enormes dificuldades.