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Franceses na Costa do Marfim

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Franceses na Costa do Marfim

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“A potência colonial não teve legitimidade para se pronunciar nas últimas décadas sobre os assuntos internos de uma antiga colónia, todas as pessoas sabem isso”, disse Sarkozy.

Esta declaração foi proferida em janeiro, a propósito da Tunísia. Espamos no início de abril e a França já está a intervir na Costa do Marfim

Como explicar agora a razão para os helicópteros franceses estarem a bombardear o palácio presidencial marfinense? Mesmo se, no caso, há legitimidade internacional e um mandato da ONU

A justificação é que é necessário proteger a população civil e evacuar os estrangeiros residentes na Costa do Marfim. Mas é uma intervenção militar da ex-potência colonial contra um dos campos ativos na Costa do Marfim.

Uma situação bastante diferente da anterior intervenção das forças francesas no país.

Em 2002, depois do golpe de Estado contra Gbagbo, a missão da chamada operação Licorne consistia em supervisionar o cumprimento das partes do cessar-fogo e integrava-se nos acordos de defesa entre Paris e Yamoussokro.

Mas desta vez, desde a segunda volta das presidenciais, Paris posicionou-se claramente ao declarar que Gbagbo tem de deixar o poder. Desde então, os partidários de Ouattara reclamam uma intervenção internacional.

Principalmente depois do que aconteceu na Líbia, mas a Líbia não é uma ex-colónia francesa e aí reside toda a diferença.

Em todo o caso, é o argumento que esperava o clã Gbagbo para denunciar a ingerência da França. O videoclip dos partidários de Gbagbo é bastante eloquente contra um presidente que, como o antecessor, Jacques Chirac, nunca o apoiou realmente porque pertence a outra família política.

Laurent Gbagbo, socialista, ao contrário do rival, nunca foi amigo dos dirigentes conservadores franceses. Tem amizades mais à esquerda no panorama político francês.

Seja como for, o apoio de Paris ao clã Ouattara embora seja legítimo, já que há uma resolução da ONU, vai marcar para sempre as relações entre a Costa de Marfim e França.

E resta apurar o que se passou desde as eleições até agora, em plena guerra civil.