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Desafios na Costa do Marfim

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Desafios na Costa do Marfim

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Os marfinenses esperavam recuperar a unidade do país e fechar definitivamente a página da guerra civil nas urnas.

Mas o duelo entre os dois candidatos que passaram à segunda volta em dezembro de 2010, Laurent Gbagbo e Alassane Outtara, não foi suficiente para dar um presidente a este país da África ocidental.

Os dois rivais acabaram por resolver o conflito eleitoral pela força.

Pouco a pouco, a Costa de Marfim caiu numa espiral de violência muito próxima da guerra civil. Já se contabilizam pelo menos 1.500 mortos e, mais ujma vez, os civis são as principais vítimas.

Um dos acontecimentos mais graves, é já conhecido como massacre de Duekoue, e aconteceu em fins de março nessa cidade no oeste do país.

Segundo o Comité Internacional da Cruz Vermelha, 800 pessoas foram assassinadas no passado dia 29 de março.

A Caritas fala de um milhar de mortos ou desaparecidos entre 27 e 29 de março, e a missão da ONU na Costa de Marfim faz um balanço provisório de 330 mortos entre 28 e 30 de março, e atribui a responsabilidade às forças pró-Ouattara.

Na sede da ONU, em Nova York, o embaixador de Costa de Marfim, Youssouffou Bamba, nega as acusações:

“Negamos qualquer envolvimento das Forças Republicanas da Costa de Marfim nos assassínios em massa em Duekoue. De facto, essas matanças foram praticadas muito antes das Forças republicanas chegarem a essa zona. Devem recordar que as milícias pró-Gbagbo da Libéria estão a assassinar todos os que encontram no caminho.”

Nestes meses de confrontos entre os fieis de Gbagbo e os de Outtara foi semeado o caos que pode não terminar para já.

A grande quantidade de Jovens Patriotas armados até aos dentes torna o futuro incerto, imprevisível do ponto de vista da segurança, embora Leon All Kouakou, porta-voz do ministério da Defesa de Ouattara, tente tranquilizar os apoiantes de Gbagbo.

“Não vai haver caça às bruxas. As Forças Republicanas estão a reorganizar-se para garantir a segurança de todos os bairros onde há saques e abusos”

Pela frente ainda está um árduo caminho para estabilizar a economia, paralisada pela violência e pelas sanções. A boa notícia é que há meio milhão de toneladas de cacau bloqueado nos armazéns que está bom para exportação.