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Gbabo, o "padeiro" da Costa do Marfim

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Gbabo, o "padeiro" da Costa do Marfim

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Laurent Gbabo começou a carreira política na prisão com o n° 11378.

Nasceu em 1945 no centro-oeste do país, no seio de uma família modesta da etnia bété

Sindicalista e opositor político, Gbagbo sempre conseguiu os objetivos, dando a volta às situações e às alianças no momento adequado.

Quando, no passado mês de outubro se apresentou para renovar o mandato, estava longe de imaginar o veredicto das urnas.

O percurso político começou na década dos 70. Era guiado por um ideal, o sindicalismo, e tinha um inimigo, Houphouet Boigny, pai da independência.

Fez humanidades em Lyon, França, mas formou-se em História em Abidjan. Nas aulas era considerado subversivo e daí se ter tornado ovelha negra do regime.

Depois de vários períodos no cárcere e um exílio forçado em França, Gbagbo regressou à ribalta política pela mão do responsável pela própria pena de prisão: Ouattara, com quem liderou um boicote ativo das presidenciais de 1995 contra o herdeiro de Boigny, Henri Konan Bédié.

Bédié tinha inventado o conceito de “100%marfinense” que Gbabo fingiu combater …antes de o usar contra o ex-aliado e rival Alassane Ouattara.

Quando o general Gueï chegou ao poder com um golpe de estado, em 1999, teve o apoio de Gbagbo e Ouattara, de novo aliados (pontuais).

Mas durante o escrutínio de 2000, Gbagbo recuperou para si o famoso conceito de pureza étnica, contra o que teoricamente lutava, para eliminar os adversários na corrida para a presidência.

Gbabo ficou com um único opositor, Guei, que não só perdeu como descobriu a que ponto o novo presidente manipulava tudo e todos. Deu-lhe a alcunha de padeiro, “por enrolar todos com a sua farinha”.

As eleições fizeram resurgir o antagonismo entre o sul, cristão e o norte muçulmano.

Em 2002, aproveitando uma viagem oficial a Itália de Gbagbo, os rebeldes do norte, supostamente dirigidos por Ouattara, tentaram fazer um golpe de estado.

O país caiu na guerra civil e ficou sob proteção das Nações Unidas. Contra qualquer prognóstico, Gbagbo conseguiu manter-se no poder.

Em 2003 assinatura baixo a égida da França o acordo de Marcoussi para pôr fim ao conflito.

Gbagbo apresenta-o como um remédio amargo, mas necessário, mas por detrás, não deixa do criticar e faz o possível para sabotearlo.

O fim da violência deu-se em 2007…uma vez mais Gbagbo aproveita:

“Estou feliz porque o país recuperou a unidade, é o que sempre procurei” – disse.

No entanto parece evidente que Gbagbo não vai ser recordado como um líder que lutou pela unidade do país, mas apenas como grande manipulador que antes de mais nada, procurou sempre o benefício pessoal.