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Autarca de Estrasburgo diz que cidade é sede legítima do Parlamento Europeu

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Autarca de Estrasburgo diz que cidade é sede legítima do Parlamento Europeu

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O presidente da Câmara de Estrasburgo não tem quaisquer dúvidas. O Parlamento Europeu deve continuar na cidade francesa. Roland Ries diz mesmo que há argumentos políticos, históricos e legais que o atestam.

Euronews: Porque é que os eurodeputados deviam pronunciar-se a favor de manter a sede do Parlamento em Estrasburgo?

Roland Ries, presidente da Câmara de Estrasburgo: “Penso que os deputados europeus se queixam sobretudo das ligações entre Bruxelas e Estrasburgo. A proposta que tenho com o Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Laurent Wauquiez, é suprimir estas ligações e reagrupar o Parlamento Europeu em Estrasburgo. Os tratados indicam claramente que a sede do Parlamento é em Estrasburgo. Não há qualquer razão para a administração do Parlamento Europeu não estar em Estrasburgo, não há razão para as reuniões das comissões de trabalho não se realizarem em Estrasburgo, para as reuniões dos grupo políticos não acontecerem aqui. Por isso, para suprimir estas ligações, que desagradam aos parlamentares, e até consigo percebê-lo, vamos ao fundo da lógica dos tratados e reagrupemos o Parlamento numa só cidade, mas em Estrasburgo.”

Euronews: Não seria mais democrático deixar os eurodeputados escolher a sede de trabalho?

Roland Ries, presidente da Câmara de Estrasburgo: “Recordo que a União Europeia baseia-se me tratados, que foram validados pelos 27 Estados da União. Penso que esta base jurídica não depende das maiorias parlamentares que podem sem diversas entre um ou outro mandato. Assim, a base da presença do Parlamento Europeu em Estrasburgo são os tratados e não cabe aos deputados mudá-la.”

Euronews: Mas não acha que para um cidadão irlandês, finlandês, búlgaro ou português, o significado de Estrasburgo enquanto cidade da reconciliação franco-alemã é menos relevante do que para um francês e um alemão?

Roland Ries, presidente da Câmara de Estrasburgo: “A União Europeia nasceu da reconciliação franco-alemã. Fundamenta-se nesse eixo. Os britânicos chegaram depois e mais tarde houve ampliações. Fico contente com isso. Mas não podemos esquecer-nos de como tudo começou, não podemos esquecer que sem esse processo de reconciliação não estaríamos aqui hoje. Foi um momento crucial na História. E deveríamos continuar a tê-lo presente ainda hoje.”

Euronews: Os eurodeputados que querem deixar Estrasburgo estão conscientes da necessidade de uma alternativa. Se o Parlamento tivesse de ser trasladado, o que pediria à União Europeia?

Roland Ries, presidente da Câmara de Estrasburgo: “Para mim isso não e negociável. E penso que para o governo francês também não. Recordo que o Parlamento Europeu é a única instituição da União Europeia que está em território francês, por isso não há negociação possível. Estou totalmente de acordo com essa postura.”