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Marfinenses fogem de Abidjan

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Marfinenses fogem de Abidjan

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A queda de Laurent Gbagbo anuncia o caminho da paz, na Costa do Marfim – mas não para já. Em Abidjan, a capital económica do país, muitos marfinenses preferem tomar o caminho do exílio.

Receiam represálias e uma escalada da violência. Durante semanas, o ex-presidente armou grupos de jovens com Kalashnikovs para que o defendessem. Agora, estes jovens armados estão do lado dos perdedores, enraivecidos e sem liderança.

O próprio Programa Alimentar Mundial, da ONU, suspendeu os voos para Abidjan, receando pela segurança dos seus funcionários.

A população está cansada. “Isto tem de acabar. Já não aguentamos mais. Não podemos comer, não podemos sair, estamos barricados em casa… É assim há semanas. Não é possível, não podemos viver assim. Isto tem de acabar”, repete uma marfinenses. Outro habitante explica: “O risco é que Gbagbo continua a ter os seus apoiantes, o que é normal. Em África, como se sabe, as coisas funcionam por etnias, por regiões, por clãs. E isso continua a existir. Por isso, ainda há muita raiva, um pouco por todo o lado.”

Uma raiva que persiste, apesar dos apelos do presidente eleito. Na sua primeira declaração ao país, esta segunda-feira, após a queda de Gbagbo, Alassane Ouattara apelou aos marfinenses que “não se deixem invadir por sentimentos de vingança e se abstenham de quaisquer represálias ou atos violentos.”

Para já, apesar da festa, o país faz face a uma crise humanitária. A União Europeia já prometeu 180 milhões de euros de ajuda, aos quais se somam 400 milhões franceses.