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Lukashenko, o "último ditador da Europa"

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Lukashenko, o "último ditador da Europa"

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Um atentado terrorista atingiu o coração de Minsk, capital da Bielorrússia, a 11 de abril. O ataque apanhou o pequeno país de surpresa. Com uma ditadura bem oleada, qualquer sinal de contestação é severamente punido. Aqui o problema do terrorismo islâmico não existe e a oposição é pacífica. Há então uma pergunta que se impõe: Quais as razões por detrás disto?

Aleksandr Lukashenko, apelidado de “o último ditador da Europa”, foi ao metro de Minsk, poucas horas após o atentado. Lukashenko afirmou que querem destabilizar o país e que ele não descansará enquanto não encontrar todos os responsáveis.

A oposição teme que o regime aproveite agora a oportunidade para aumentar a repressão.

Lukashenko tem prometido, várias vezes, que caso seja necessário não hesitará em enviar o Exército para as ruas. No poder há 17 anos, o ditador tem sido contestado, contudo não mostra sinais de enfraquecimento.

Aleksandr Lukashenko, antigo capataz de uma quinta da era comunista, chegou ao poder em 1994. Desde então tem governado o país com mão de ferro sem qualquer tipo de cedências.

No decorrer dos anos o ditador mudou a Constituição de maneira a garantir a permanência no poder. O regime está praticamente isolado e conta apenas com um aliado: a Rússia.

Em dezembro de 2010 Lukashenko promoveu eleições de forma a granjear o apoio da comunidade internacional. Os escritórios dos observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa foram encerrados por ordem presidencial. O ditador acabou por ser reeleito com uma vitória esmagadora.

Isolado na cena internacional, Lukashenko beneficiaria caso mostrasse que as eleições eram livres e justas. Isso faria com que a Europa levantasse as sanções ao país. O ditador preferiu continuar a governar com mão de ferro a Bielorrússia…

Durante o regime vários líderes da oposição foram presos ou acabaram por desaparecer.

O anúncio dos resultados eleitorais provocou a cólera da oposição. Os tumultos nas ruas de Minsk foram reprimidos de forma violenta. Centenas de pessoas foram presas, incluindo sete candidatos presidenciais.

Os Estados Unidos e a Europa condenaram a repressão. Lukashenko é considerado “persona non grata” e foi-lhe negada a possibilidade de se deslocar para estas regiões. O regime de Minsk conta apenas com o apoio da Rússia, apesar de a relação entre os dois países ser tensa. Sem o apoio de Moscovo o regime de Aleksandr Lukashenko acabaria por sucumbir…