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Cuba está a mudar

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Cuba está a mudar

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A imagem romântica que o mundo tem de Cuba pode estar prestes a desaparecer. Os cubanos vão poder começar a comprar e a vender carros e casas. Esta é uma das medidas mais simbólicas, entre as 300 adoptadas pelo Congresso do Partido Comunista. Reformas históricas que começaram a sem implementadas há algum tempo, para salvar o país da falência, mas que deixam muitos cubanos perplexos:

“As intenções do governo são boas, mas não vejo forma de que haja grandes melhoras”, afirma um idoso.

Da longa lista dos pequenos passos em direção a uma economia de mercado constam a liberalização do comércio, a renovação do setor público, e as reformas fiscais e das ajudas sociais. É muito pouco e demasiado tarde, para alguns, como economista Oscar Espinoza:

“As mudanças vão a passo de um carro puxado por cavalos, enquanto a crise avança a uma velocidade supersónica. E isso é lamentável e muito perigoso”.

Na verdade, o quotidiano dos cubanos continua muito difícil. Entre as medidas anunciadas, a que mais inquieta é a abolição da chamada “libreta”, o caderno de racionamento que permite a todos os cubanos usufruirem de um cabaz de produtos subvencionados pelo estado.

Céticos sobre as medidas económicas, os cubanos apreciam, no entanto, a ideia do presidente Raul Castro de limitar a dois madatos sucessivos de cinco anos, a permanência dos dirigentes no poder, a fim de rejuvenescer a classe política.

“Realmente, têm que dar a vez à juventude. Obrigatoriamente têm que passar o testemunho à juventude, pelos seus pensamentos. O mundo já não é o mesmo de há cinquenta anos atrás, defende um jovem.

Mais de meio século após o nascimento do castrismo, uma coisa é certa: a revolução está no limite. E se as reformas aprovadas não vâo mudar radicalmente a vida dos cubanos, deixam pelo menos uma porta de esperança aberta para as novas gerações.