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Golfo do México: um ano depois

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Golfo do México: um ano depois

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Há um ano, a explosão na plataforma de exploração petrolífera Deepwater Horizon, no Golfo do México, provocava uma das maiores catástrofes ecológicas de sempre.

A plataforma, explorada pela BP, a 80 quilómetros da costa da Luisiana, deixou escapar para as águas do Golfo do México cerca de 4,9 milhões de barris de crude no espaço de três meses.

Para além da Luisiana, as costas do Mississípi, Alabama, Florida e Texas foram igualmente atingidas.

Um ano após a tragédia a vida está longe de regressar à normalidade. Apesar de algumas melhorias, as marcas do derrame continuam visíveis.

“Esta foi com toda a probabilidade a pior perturbação ocorrida nesta massa de água em milhares de anos”, afirma o Dr. Paul Sammarco do Consórcio Marinho da Universidade da Luisiana.

Mesmo assim, há quem não seja tão pessimista preferindo relativizar o ocorrido.

“De facto, de um ponto de vista geral, levando em conta o volume total e extensão desta área do Golfo do México, trata-se de uma área pequena por isso o impacto também foi pequeno”, adianta o Dr. Quenton Dokken da Fundação Golfo do México, financiada pela BP.

Para quem ganhava a vida nas águas do Golfo, a questão não é assim tão simples. Apesar da BP ter criado um fundo para indemnizações de 20 mil milhões de dólares, o dinheiro talvez seja insuficiente para compensar as perdas.

“Gostava de regressar à pesca, fazer mais viagens, sentir que as pessoas estão mais confiantes e é possível voltar a pescar”, reclama James Guerineau, capitão de um barco de recreio.

Para além da poluição das águas, os efeitos sobre a vida marinha e animal são difíceis de quantificar. petróleo está por todo o lado.

Os especialistas dizem que ainda é cedo para avaliar os efeitos reais sobre a vida marinha.

Um dos problemas principais está na inclusão do petróleo na cadeia alimentar.

“A maior parte do petróleo ainda está no Golfo. Está na água, nos sedimentos, no fundo marinho. Há uma parte que se encontra agora nas terras pantanosas. Ainda lá está. E é consumido por criaturas marítimas”, afirma John Hocevar, biólogo marítimo da Greenpeace.

Para combater a mancha de petróleo foram utilizadas quantidades elevadas de produtos dispersantes. Milhares de pessoas que participaram nas operações de limpeza queixam-se de problemas de saúde.

“Ninguém conhece os efeitos ambientais destes dispersantes, as muitas toneladas de dispersantes que foram deitados nas águas, alguém vai ter que investigar isso”, defende William Murray, analista do Energy Intelligence Group.

Seja como for, uma coisa é certa. Os efeitos do desastre ecológico no Golfo do México ainda se farão sentir durante muitos anos.