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Ucrânia continua a apostar na energia nuclear depois de Chernobyl

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Ucrânia continua a apostar na energia nuclear depois de Chernobyl

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O acidente de Chernobyl deu-se há 25 anos e a data celebra-se num contexto particular.

Os acontecimentos de 11 de Março na central japonesa de Fukushima Daiichi aumentaram o medo do nuclear e de um “Chernobyl do séc. XXI”.

Mas os especialistas sublinham que o acidente de Chernobil ontinua a ser considerada a pior catástrofe na história nuclear civil.

Michel CHOUHA, representante do Instituto de radioproteção e segurança nuclear (IRSN) na Europa de Leste e do grupo franco-alemão RISKAUDIT admite que os dois acidentes são “acidentes graves”:

“No caso do acidente de Chernobyl, a causa inicial foi erro humano, agravado pela tecnologia e concepção do reator. No caso de Fukushima foi uma catástrofe natural maior. Do ponto de vista das consequências, Fukushima não é comparável a Chernobyl, que teve efeitos devastadores. “.

Desde abril de 1986, a Ucrânia e a comunidade internacional esforçam-se por reduzir as consequências do acidente.

Durante a conferência de 19 de abril em Kiev, o mundo desbloqueou 550 milhões de euros (75 por cento da soma necessária) para financiar a construção de um novo sarcófago em Chernobyl e a construção da unidade de armazenamento de detritos nucleares que continuam no local.

Estas obras têm de estar concluidas em 2015. A exploração é garantida por cem anos

Para Yuri Andriev, presidente da União Chernobyl que reune os antigos “liquidatários”, o projeto suscita algumas questões:

“O projeto deste novo sarcófago que planificamos construir em forma de arco vai ser realizado com materiais leves e frágeis. Não vai resolver o principal problema: o que fazer com o combustível e os materiais altamente radioativos. Além disso, o projeto é, tecnicamente, muito difícild e realizar.”

Apesar de todas as dificuldades ligadas às consequências de Chernobyl, as autoridades ucranianas encaram o futuro energético do país com otimismo.

Há quatro centrais nucleares com 15 reatores em exploração. produzem quase metade da eletricidade necessária. Mas a Ucrânia pretende construir mais uma dezena de reatores nas próximas duas décadas. Michel Choha adverte:

“É uma energia potencialmente perigosa, uma energia que pode render grandes serviços à humanidade mas que continuará sempre a ser perigosa. E o homem deve saber que se quiser utilizar esta energia é absolutamente necessário que antecipe os problemas que possam surgir e, principalmente, que antecipe as situações acidentais graves. Se não fizermos isto, corremos para o fracasso”.