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Casamento real: fervor e cansaço

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Casamento real: fervor e cansaço

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O casamento do príncipe William e Kate Middleton vai custar milhões de libras. Um argumento aproveitado pelos republicanos, que fazem apologia do fim da realeza. Alguns britânicos também consideram que se trata de um acontecimento supérfluo, com repercussões no bolso dos contribuintes.

As discussões a favor ou contra a monarquia sempre estiveram presentes no seio da sociedade britânica, mas agora o casamento real reacendeu o debate.

O encanto de outros tempos parece ter desaparecido, depois da expectativa gerada pelo casamento entre o príncipe Carlos e Diana. O enlace culminou num casamento infeliz que gerou um divórcio.

“Nos últimos 30 anos, o conto de fadas desvaneceu-se na crua realidade e as pessoas sabem que a imagem não é bem como a substância das coisas”, explica Stephen Bates, colunista do jornal “The Guardian”.

O debate instalado não é só sobre o custo da realeza, mas também sobre os poderes constitucionais, ainda que raramente sejam usados.

“Não penso que seja democrático ter uma prerrogativa real, que é um conjunto de poderes que podem ser usados sem a consulta do Parlamento. O Parlamento representa o povo. Penso que se algo acontecer neste país, deve ser através da consulta popular e dos seus representantes, não com uma família que por acaso nasceu nesta posição e cujos elementos podem ser chefes de Estado. Isto não é bom numa democracia moderna”, diz Tessa Mayes, blogger e realizadora.

Muitos vão percorrer o caminho entre a Abadia de Westminster e o Palácio de Buckingham, mas nem todos são turistas. Apesar dos tempos difíceis que a economia britânica atravessa não parece haver vontade política de mudar, lembra Stephen Bates: “É profundamente antidemocrático, mas neste momento não há vontade democrática para mudar as coisas.”

Se as redes sociais servem de indicador, grande parte das pessoas está contente com a situação. Uma sondagem recente no Twitter mostra que 67 por cento da população apoia a família real.