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O significado de "violação" nos dois lados do Atlântico

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O significado de "violação" nos dois lados do Atlântico

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A tese de complô não parece convencer a imprensa francesa para explicar o escândalo que apanhou Dominique Strauss-Khan.

Em Bruxelas, Jean Quatremer, jornalista do Jornal Liberation, chama a atenção para as diferenças culturais sobre a ideia de violação.

Jean Quatremer: A violação nos Estados Unidos tem sem dúvida um sentido mais lato que em França. Existe um precedente também na Suécia com o caso Assange – Wikileaks acusado de violação, o que, aqui, não seria considerado como tal. Na Suécia é suficiente que a mulher diga não, que não esteja explicitamente de acordo para que o acto seja considerado violação. Nos Estados Unidos, o assédio sexual é igualmente lato, pode ser apenas um olhar mais insistente. Logo, evidentemente, que a significação é muito mais abrangente. Nós os franceses recebemos a acusação de tentativa de violação como qualquer coisa de extremamente violento, como se a mulher tivesse sido espancada, a roupa arrancada, etc, pode ter sido muito menos que isso. É por isso, termos muito cuidado com o sentido das palavras nos dois lados do Atlântico, que não são recebidas da mesma forma, e sobretudo nos Estados Unidos, onde existe muito rigor no que toca ao respeito da igualdade homem-mulher”.

Sérgio Cantone: Poderá haver alguém que se aproveitou politicamente desta diferença cultural sobre a violação e da fraqueza de Strauss-Khan?

Jean Quatremere: “Não acredito na teoria do complô. Podemos tentar imaginar que lhe tentaram lançar uma armadilha , mas se isto foi uma armadilha quer dizer que ele caíu nela, e isso em si é já uma problema. Podemos imaginar que tudo isto foi uma invenção. Temos uma mulher de limpeza, que trabalha há três anos neste hotel, que é de origem imigrante, guineense, ao que parece.

Portanto, vê-se bem que a tese de manipulação não tem pernas para andar, nem um segundo. É evidente que há outra coisa.”