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O caso Strauss-Kahn nos "media"

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O caso Strauss-Kahn nos "media"

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O tratamento do caso Dominique Strauss-Kahn pelos “media” é diferente de um lado e do outro do Atlântico. Enquanto os norte-americanos o mostram quase como culpado os jornais franceses são acusados de complacência.
 
A opinião do chefe de redação do “Journal du Dimanche”, Bruno Jeudy.
 
Euronews:
A primeira pergunta é sobre as questões política e diplomática. Esta é uma humilhação para a França, em particular, e para a política francesa em geral?
 
Bruno Jeudy:
Sim, é sem dúvida uma humilhação para o Partido Socialista, para o FMI e também para a França, dada a importância de Dominique Strauss-Kahn. Há 48, 72 horas, ele era uma das personagens mais poderosas e agora dorme na prisão.
 
E:
Bruno, podemos pelo menos dizer que os “media” norte-americanos, na sua maioria, não são pró Strauss-Kahn. Muitos deles consideram-no já culpado embora ainda goze da presunção de inocência…
 
BJ:
Claro que para nós, franceses, é chocante pois damos muita importância à presunção de inocência além de termos um sistema judicial bastante diferente. O sistema americano é bastante rápido, com um processo acusatório que coloca o réu em cena de uma maneira espetacular, e que o torna quase culpado, com imagens dele algemado, dentro do tribunal. Isso é totalmente proibido em França. Aqui há uma lei…
 
E:A Lei Gigou.
 
BJ:
uma lei proposta socialista Elisabeth Gigou, e que proíbe fotografias de réus algemados. Então é verdade que é um sistema que pode chocar os franceses, mas, ao mesmo tempo protege a vítima. Na verdade, vemos também que nos Estados Unidos tratam, de maneira igualitária um poderoso e uma empregada de quarto. Podemos interrogar-nos se, no mesmo contexto, esse teria sido o caso em França. Não há certeza…
 
E:
Concentremo-nos na questão dos “media”. Gostaria de fazer a comparação com a França. Alguns jornais americanos criticam os títulos franceses por serem complacentes em relação a esta matéria. Enquanto chefe de redação do “Journal du Dimanche” o que pensa?
 
BJ:
Penso que parte da imprensa ficou atordoada e disse: “É incrível que Strauss-Kahn, a poucos meses das eleições presidenciais, tenha sido capaz de fazer tal coisa.” Bem, o facto é que passámos de “DSK detido” para “DSK acusado” e em seguida para “DSK algemado” depois para “DSK preso preventivamente”. Portanto o processo parece bastante complicado, a acreditar na polícia americana. Agora devemos esperar pela versão de Strauss-Kahn e a mudança de versões fez com que em França parte da imprensa tenha, provavelmente, tratado o caso de forma prudente, o que pode ser considerado, para alguns, como complacência em relação a DSK.