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Jean Roy faz o balanço de Cannes 2011


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Jean Roy faz o balanço de Cannes 2011

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Fred Ponsard – Jean Roy, o senhor é o presidente da imprensa internacional de cinema. O que lhe inspira esta edição do festival de Cannes? Acha que é uma colheita especial?

Jean Roy – Esta é a edição mais agradável desde há muito tempo. Primeiro esteve sempre bom tempo, e a meteorologia é importante… Depois, houve em todas as seleções, uma seleção, seleções extremamente variadas. Bastava escolher e encontrávamos filmes excelentes. Não é assim todos anos.

F.P. – Que pensa da lista dos premiados? Acha que este ano alguém foi esquecido?

J.R. – Havia tantos filmes bons, que forçosamente alguém foi esquecido. Por exemplo, no que concerne à realização ou ao argumento, teria de certeza substituído o filme de Joseph Cedar por “Le Havre”.

F.P. – Todos os anos acontecem escândalos. Este ano o de Lars von Trier foi muito grande. Acha que não foi mais que um epifenómeno?

J.R. – Lars von Trier, é bom que se saiba, tem a necessidade de se fazer notar. Tem muitas obsessões Não anda de avião e todos os anos vem da Dinamarca na sua carrinha. Como certos artistas, tem um temperamento muito particular.

Na altura de “Element of Crime” era protestante, e converteu-se ao catolicismo quando fez “Breaking the Waves”. Há dois anos que não se converte em qualquer coisa e continua a fazer escândalos, mas pessoalmente prefiro lembrar-me mais dos seus filmes do que das suas declarações.

F.P. – Quais são para si as grandes tendências deste ano? Houve revelações?

J.R. – Ao nível dos realizadores, ainda não vimos um filme que chegue aqui e leve tudo. Por outro lado, tivemos confirmações e constatámos que os grandes nomes ainda podem continuar no pódio.

Vimos que ainda se pode fazer um filme mudo a preto e branco em ecrã quadrado – The Artist – e por outro lado vimos que as novas tecnologias, falo dos pré-genéricos absolutamente admiráveis da “Palma de Ouro”, ou do filme de Lars von Trier que graças a meios fantásticos, fez do pré-genérico de “2001- Odisseia no Espaço” uma vulgaridade.

Deu para ver as direções que o cinema toma.

F.P. – O festival de Cannes continua a ser o maior do mundo?

J.R. – De longe. De muito longe. Tenho a sorte de conhecer os outros, ou seja, Berlim, Veneza e Toronto que cabem num lenço de bolso, seja pelos números atuais, seja pelo número de creditações profissionais, seja pelo mercado do cinema, que cresceu este ano oito por cento, e a imprensa local desta manhã, falava num retorno financeiro de 200 milhões de euros.

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