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Bienal de Arte de Veneza sob o signo da liberdade

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Bienal de Arte de Veneza sob o signo da liberdade

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A Bienal de Arte de Veneza abre as portas ao público.

De dois em dois anos, a cidade italiana recebe 300 mil visitantes de todo o mundo.

Este ano, o evento conta com um número recorde de participantes. Há artistas de 89 países.

Há de tudo na mostra de arte italiana: obras críticas, políticas e polémicas.

Os Estados Unidos apresentam uma obra sobre o papel do país enquanto superpolícia do mundo.

“Obviamente, há associações entre a concorrência internacional e a concorrência militar e a guerra. O tanque está mesmo ao lado pavilhão dos Estados Unidos. Há um associação com o militarismo americano.”, sublinha Lisa Freidman, comissária do pavilhão dos Estados Unidos.

A exposição do pavilhão dinamarquês procura suscitar o debate sobre a liberdade de expressão.

“Penso que a liberdade de expressão é uma questão fundamental e tornou-se premente nos últimos tempos, tendo em conta a evolução geopolítica global, eventos como o 11 de setembro, o escândalo dos cartoons dinamarqueses A questão voltou a ribalta de forma bastante clara.”, sublinha Katerina Gregos, curador do pavilhão dinamarquês.

Este ano, a Bienal de Veneza escolheu como tema a luta pela liberdade.

O Egito apresenta uma instalação vídeo sobre Ahmed Basiony, um artista abatido durante os protestos da praça Tahir, no Cairo.

Ahmed Basiony tinha 31 anos e morreu quando estava a filmar as manifestações.

“Podemos ver nas imagens da revolução planos filmados durante o dia e planos filmados durante a noite. Ele filmava tudo o que se passava a volta dele. E tudo o que ele filmou é incrível porque as pessoas estavam na rua por uma razão muito concreta, disse Aida Eltoire, comissária do pavilhão do Egito.

A Arábia Saudita participa na Bienal de Veneza pela primeira vez, com uma obra concebida por duas irmãs, Shadia Alem, uma artista plástica e, Raja Alem, escritora.

“Penso que há muitas questões sobre o Médio Oriente hoje em dia. Os artistas têm o direito de responder as essas questões, tanto como os políticos ou os governos” frisa o comissário da Arábia Saudita.

Em 2009, os Emirados Árabes Unidos (EAU) foram o primeiro país do Golfo a ter um pavilhão na Bienal.

O comissário dos EAU acredita que o momento de instabilidade que a região atravessa atualmente dará um novo fôlego à liberdade de criação artística.

“Nalguns países estamos a assistir a um período de renascença. Finalmente eles vão poder respirar. Em certos países do mundo árabe, a arte foi de alguma forma censurada . Os artistas sentiam que não tinham total liberdade de expressão”, diz Lamees Hamdan.

Além dos pavilhões nacionais, a Bienal de Veneza apresenta obras de 83 artistas internacionais.

O Pavilhão de Portugal apresenta uma instalação do artista plástico Francisco Tropa.

A Bienal de Veneza pode ser visitada até 27 de Novembro.