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Dilema dos eleitores portugueses

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Dilema dos eleitores portugueses

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No frente a frente da campanha, Passos e Sócrates acusaram-se mutuamente de agravar a profunda crise que afeta Portugal.

Um fez cair o governo e o outro esteve à frente do executivo nos dois últimos mandatos. O FMI não vai dar margem de liberdade seja qual for o vencedor.

Quando pediram a ajuda internacional, os portugueses tornaram quase irrelevante o assunto das eleições legislativas, tão dura é a realidade dos números.

O plano de resgate eleva-se a 78 mil milhões de euros, dos quais 12,6 mil milhões foram pagos em urgência para fazer face ao vencimento de 7 mil milhões de euros da dívida e dos juros, no dia 15 de junho.

Em troca, Lisboa dve, imperativamente, reduzir o défice de 9.1% do PIB para 5.9% no fim do ano em curso.

Isto é, uma poupança de 5 mil 700 milhões de euros num contexto de recessão.

Prevê-se uma contração do PIB de 2% este ano e no próximo.

Os portugueses esperam-se novas subidas dos impostos, como o IVA, que reduz o márgen dos comerciantes.

Rosa Cunha, varina, trabalha 18 horas diárias, mas não é suficiente:

“Antes de chegar o FMI, a situação já era difícil. Agora já estamos de joelhos e ainda vamos ter de pagar mais. Oviamente que vamos para pior e vamos sofrer. Se já estamos a passar mal ainda vai ser pior no futuro.”

É contra este fatalismo que deve lutar o primeiro-ministro cessante, o socialista José Socrates, para recuperar a confiança dos eleitores.

As sondagens não o apresentam como favorito.

André Freire, analista da Universidade de Lisboa:

“- As pessoas estão fartas de Sócrates, mas por outro lado, também questionam se será melhor ou pior ter um governo de centro direcha mais neoliberal que o FMI”.

O rival é o social-democrata Pedro Passos Coelho, um ex-executivo do setor privado, sem experiência governamental. As sondagens dão-no como futuro primeiro-ministro português.