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A morte do eterno resistente Jorge Semprún

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A morte do eterno resistente Jorge Semprún

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O escritor e antigo ministro da Cultura espanhol, Jorge Semprún, faleceu esta terça-feira, em Paris, aos 87 anos de idade.

Antigo resistente ao regime de Franco, Semprún tinha-se exilado com a família em Paris no final dos anos 30 durante a guerra civil espanhola.

Em 1943, e depois de ter aderido ao partido comunista espanhol e à resistência francesa era capturado pelas tropas alemãs e enviado para o campo de concentração nazi de Buchenwald, onde sairia vivo, dois anos mais tarde, aos 22 anos.

A guerra civil espanhola e a experiência dos campos de concentração marcaria a produção literária do escritor, entre mais de uma dezena de obras autobiográficas e de fição, entre as quais “A longa viagem” ou “Aquele domingo”.

Emigrado em França, mas conservando a nacionalidade espanhola, Semprún regressou ao país natal, em 1988, para integrar o governo de Felipe Gonzalez, enquanto ministro da Cultura, cargo que ocupou até 1991.

Os anos 90 marcariam o corte de relações definitivo do escritor com a política, para se ocupar quase exclusivamente, nas suas obras e intervenções públicas, da preservação da memória da resistência às ditaduras do século XX.

O escritor tinha regressado a Buchenwald no ano passado, durante o 65o aniversário da libertação do campo de extermínio, afirmando-se “extraordinariamente irritado com a ideia de que em breve já não estarei aqui para dizer o que tenho a dizer”.