Última hora

Última hora

Morreu um resistente

Em leitura:

Morreu um resistente

Tamanho do texto Aa Aa

“A selva do mercado é melhor do que o zoo do totalitarismo” – a frase reflete a filosofia do escritor e ativista de esquerda Jorge Semprun que encerrou a história da sua vida na terça-feira à noite. Morreu vítima de doença degenerativa.

Semprun era considerado uma testemunha excecional do século 20 com um pensamento baseado nas experiências que viveu. “À juventude europeia oferecemos coisas que lhes interessa muito, e eles aceitam, por exemplo o programa Erasmus, os intercâmbios universitários, as viagens, mas isso é muito pragmático, muito do dia-a-dia, muito quotidianos. Não oferecemos ou não soubemos ainda oferecer-lhes um projeto comum global da Europa que pintamos. O que faz a Europa, o que significa a Europa, não é só apenas as viagens de Erasmus, mas algo de concreto”, afirmou um dia à euronews.

Nasceu em Madrid em 1923 , viveu na Holanda e França e foi resistente à ditadura de franco e também ao nazismo, tendo sido prisioneiro durante a II Guerra Mundial no campo de concentração de Buchenwald – tema sobre o qual baseou grande parte da sua obra. Foi igualmente ministro da Cultura durante o governo de Filipe González.

Entre os livros destacam-se a “Grande Viagem” ou “aquele domingo”. Como argumentista, ganhou prestígio ao escrever grandes referências do cinema francês, filmes como “a guerra acabou” ou “Z”.

Tinha 87 anos.