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Nacionalistas curdos querem reforçar posição no Parlamento turco

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Nacionalistas curdos querem reforçar posição no Parlamento turco

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Os nacionalistas curdos podem vir a aumentar a representação no Parlamento turco, já a partir das eleições do próximo domingo.

Isto se se confirmarem as previsões. As sondagens apontam para a eleição de 30 deputados no sudeste do país. Concorrem como independentes para contornar a barreira nacional de dez por cento dos votos imposta aos partidos. Para esta batalha contam com o apoio do BDP, o Partido da Paz e Democracia. Serafettin Elic, um dos candidatos, explica os objetivos: “Quer gostem quer não, vai-se estabelecer um sistema de descentralização. Um sistema que permitirá aos curdos ter uma autonomia irrevogável na região, um sistema de auto governação.”

Em Diyarbakir, a maior cidade do sudeste do país, os partidos cortejam os eleitores.

O primeiro-ministro turco prometeu investimentos para a região de maioria curda. Mas o também líder do partido Partido da Justiça e Desenvolvimento AKP, no poder, não se comprometeu a levar a cabo as reformas exigidas pelo BDP: autonomia, educação em curdo e amnistia para o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, PKK.

“Queremos escrever uma nova Constituição para fortalecer os avanços feitos até agora e impedir um regresso aos velhos métodos. E queremos novos benefícios, dar mais passos”, diz Mehdi Eker, do Partido Justiça e Desenvolvimento.

Para a autora curda Bejan Matur, a resolução do conflito, que fez pelo menos 45 mil mortos, passa por um novo enfoque constitucional: “Parece-me que a inclusão da “curdicidade” ao lado da “turquicidade” na Constituição vai perpetuar o conflito. O que é preciso fazer, de forma mais razoável, é mudar completamente a definição de “turquicidade”. A Constituição deve ser desprovida de referências étnicas porque a Turquia é uma sociedade multicultural onde coabitam várias etnias.”

Mesmo o CHP, Partido Republicano do Povo, atualmente na oposição, fez campanha em Tunceli, cidade curda alevita do leste da Anatólia. O novo líder da formação, Kemal Kilicdaroglu, reconheceu que a região foi abandonada pelo partido e prometeu uma rutura com o passado.