Última hora

Última hora

Turquia: à espera de uma nova Constituição

Em leitura:

Turquia: à espera de uma nova Constituição

Tamanho do texto Aa Aa

A 12 de setembro de 1980, a Turquia conhece mais um golpe de Estado, o terceiro em 20 anos. Fica assim concluído o processo de militarização do Estado, iniciado nos golpes de 1960 e 1971.

O país atravessava uma grave crise económica e encontrava-se há beira de uma guerra civil. Em nome da paz interna, o exército tomou o poder. 650 mil pessoas são presas e torturadas, 500 foram mortas.

Em 1982 é elaborada a Constituição, de cariz fortemente militar e onde os direitos humanos são limitados.

Em vigor até aos dias de hoje, a sociedade turca considera ser imperativo uma mudança. Foram feitas tentativas de alterações mas até agora nenhuma teve êxito.

Bruxelas considera essencial uma reforma, de maneira a continuar as negociações para uma futura adesão da Turquia à União Europeia.

Desde que subiu ao poder, em 2003, Recep Tayyip Erdogan pretende instituir reformas. O primeiro-ministro deixou isso bem claro durante esta campanha eleitoral, elegendo-a como a principal prioridade. Caso consiga uma clara reeleição, poderá implementá-la.

No referendo de 2010, o povo turco aprovou esta revisão, por larga maioria.

Durante a campanha, Erdogan foi convidado a votar “sim” à “constituição do povo” contra a dos militares.

O primeiro-ministro nunca escondeu que gostaria de substituir o sistema parlamentar vigente por um de cariz presidencialista.

Prevê-se que Tayyip Erdogan seja reconduzido este domingo, pela terceira vez, ao cargo de primeiro-ministro. Erdogan avisou já que esta foi a última vez que se candidatou.

Caso consiga realizar a reforma, Erdogan vai estabelecer na Turquia as liberdades fundamentais, reforçar a justiça civil, em detrimento dos tribunais militares, abrindo assim as portas para o julgamento dos autores dos golpes de Estado militares.

Prevê-se que Recep Tayyip Erdogan vença o escrutínio deste domingo. Resta agora saber se vai conseguir a vitória esmagadora que pretende e assim ter o apoio necessário para cumprir o programa de governo, sem quaisquer problemas.