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Erdogan terá que seguir via do diálogo e do compromisso

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Erdogan terá que seguir via do diálogo e do compromisso

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Terceira vitória consecutiva para Recep Tayyip Erdogan. Vitória da consagração, com um resultado superior ao de 2007, mas que fica aquém da maioria necessária para não precisar do apoio da oposição para levar a cabo as reformas que prometeu, nomeadamente a da Constituição.

No discurso de vitória o primeiro-ministro turco anunciava a sua intenção de “escrever uma Constituição civil e livre que unirá todos os quadrantes da sociedade. Todos se identificarão com esta Constituição de este a oeste”.

Mas será o discurso consensual de Erdogan suficiente para convencer os seus opositores sobre o que consideram ser um projeto que tem como único objetivo servir as suas ambições políticas? Para os analistas, Erdogan é obrigado a passar pela via do diálogo.

“Há assuntos extremamente importantes que têm de ser resolvidos: o conflito curdo e a Constituição. Mas estes temas necessitam de um consenso e de diálogo com os outros partidos e também com a sociedade em geral”, defende Cengiz Aktar, professor na Universidade Bahcesehir.

A Constituição militar está em vigor desde 1982. Erdogan quer uma Constituição civil e prometeu alterar o texto fundamental que limita certas liberdades sem dar quaisquer detalhes sobre as alterações que pretende instituir, mas ao que tudo indica quer criar um sistema presidencial que lhe daria a oportunidade de se candidatar a dois mandatos presidenciais.

É precisamente esta questão que preocupa a oposição. É pouco provável que o AKP consiga obter o apoio do CHP de centro-esquerda, segunda força política nacional. Nesse caso terá que tentar negociar com os curdos do BDP.

O problema curdo é outro dos grandes desafios que Erdogan vai ter pela frente. A última vez que o primeiro-ministro turco se reuniu com um líder curdo foi em 2009, na altura do DTP, partido que foi entretanto dissolvido e que renasceu com o nome de Partido para a Paz e Democracia (BDP). O BDP que passa de 26 para 30 deputados reclama um estatuto de autonomia para os curdos. O líder histórico Abdullah Ocalan ameaçou recentemente Ancara de entrar em guerra total se as negociações não começarem rapidamente.