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Os belgas passam bem sem governo e sem querelas

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Os belgas passam bem sem governo e sem querelas

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Os belgas parecem nem se importar com o facto de não terem governo há um ano. Até mesmo na televisão o assunto é tratado com alguma ligeireza.

O produtor Peter de Maegt criou um programa humorístico a que chamou: “Jean quer tornar-se flamengo”, onde as diferenças entre valões e flamengos são caricaturadas.

Jean Baptiste, que interpreta a personagem, é francófono e todos os jovens o reconhecem. O produtor explica a ideia:

“É uma abordagem irónica e um contributo para o debate em geral e para mostar aos nacionalistas flamengos do NVA que nós estamos abertos ao diálogo com eles e que isto não é um conflito fundamental”.

Para muitos cidadãos, tanto flamengos como francófonos o assunto não é, de facto, fundamental.

Na comuna de Sint-Genesius-Rode, na região flamenga, a grande maioria dos habitantes fala francês e isso nunca foi problema.

Nas ruas diz-se que é uma guerra de políticos:

“Penso que são os políticos que criam os conflitos entre as pessoas, não há nenhum problema, mas são as batalhas deles, sem isso não existiriam”,afirma uma cidadã.

“Não percebo nada. Eles arrajam-se entre eles, há um que é contra, outro que é a favor, discutem e depois à noite vão jantar juntos, como amigos. Durante o dia zangam-se.. Sabe, a política é assim”, ironiza outro.

67% dos belgas acredita que o país pode continuar a existir com valões e flamengos juntos.

O líder do partido socialista francófono, Elio di Rupo, está pela enésima vez a tentar formar um governo, mas face às intransigências dos flamengos do NVA, poucos acreditam que vá conseguir.

Às querelas sobre as instituições do país junta-se uma visão de políticos muito diferente entre o norte flamengo, maioritariamente à direita e o sul francófono da esquerda.