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Princípio do fim para Silvio Berlusconi

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Princípio do fim para Silvio Berlusconi

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Nunca um Presidente do Conselho italiano beneficiou de tamanha longevidade: três vitórias em eleições legislativas para um total de oito anos de mandato acumulados.

Mas a punição nas eleições municipais de há 15 dias e o não maciço nos referendos desta segunda-feira meteram o Cavaliere KO.

O terceiro homem mais rico de Itália sempre soube ultrapassar os obstáculos, muito graças ao seu império mediático e a estratégias de marketing bem dissimuladas que o ajudaram a reconquistar várias vezes o seu próprio eleitorado.

Berlusconi conseguiu fazer esquecer os processos de corrupção, fraude fiscal ou financiamento político ilícito.

Se conseguiu para já evitar os perto de vinte casos judiciais, Il Cavaliere não teve a mesma sorte com os escândalos de índole sexual.

A 26 de abril, o primeiro-ministro italiano esteve na festa de aniversário de Noemi Letizia, de 18 anos. No dia a seguir a sua mulher pediu o divórcio.

Ao divórcio Veronica Berlusconi junta revelações de que o marido frequenta menores de idade e que tem a intenção de incluir uma série de estrelas de televisão nas listas das eleições europeias.

A partir daqui a popularidade de Silvio Berlusconi começa a cair. Em dezembro de 2009, em Milão, o chefe de governo italiano é agredido com uma estatueta. Resultado: fratura do nariz e dois dentes partidos.

Mas o golpe fatal tem o nome de Ruby, uma bailarina marroquina, presença frequente nas festas “jet set” organizadas pelo Presidente do Conselho italiano, as famosas “bunga-bunga”.

Silvio Berlusconi terá pago a Ruby para ter relações sexuais com a jovem bailarina quando ela ainda era menor. Em janeiro, o caso chegou aos tribunais.

A Liga Norte do seu mais do que indispensável aliado Umberto Bossi começa a perder a paciência. Aos escândalos junta-se a lentidão de reformas como a da imigração prometidas pelo chefe de governo ao partido populista e xenófobo.

O politólogo James Walston, da Universidade Americana de Roma defende que “neste momento, Berlusconi depende inteiramente de Umberto Bossi e da Liga norte. Na próxima semana, a Liga Norte vai reunir-se no tradicional comício de Pontida e se Bossi decidir que chegou o momento então será o fim do governo.”

Às ameaças políticas e judiciárias, Il Cavaliere responde com uma certa leviandade. Esta segunda-feira durante uma conferência de imprensa com o primeiro-ministro israelita voltou a fazer referência às festas bunga-bunga.

“É o bunga-bunga do ano 1811”, afirmou ao fazer referência à pintura de Andrea Appiani do século XIX que representa o Parnaso.

Uma atitude que de acordo com os analistas poderá ser-lhe fatal antes do fim do mandato em 2013.