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"Toda a Europa perde se a Grécia entrar em default"

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"Toda a Europa perde se a Grécia entrar em default"

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Euronews: A Grécia é manchete há já algum tempo. Nós sabemos que o país está à beira da bancarrota, que precisa de ajuda urgente. Quem é o verdadeiro perdedor nisto tudo?

Manoj Ladwa, ETX Capital: Eu acho que toda a gente na Europa perde se a Grécia entrar em default. É basicamente a repetição da crise bancária de 2008 se a Grécia entrar em incumprimento da dívida soberana. Infelizmente, o povo grego investiu imenso nos seus próprios bancos. Também um determinado número de bancos estrangeiros investiu fortemente no sistema bancário grego. Descobrimos nos últimos dias que os bancos franceses têm uma quantidade crescente de exposição. É por essa razão que as agências de rating também estão a fazer comentários negativos sobre bancos não gregos. Infelizmente, parece ser um problema à escala europeia, não é algo apenas localizado na Grécia.

E: É óbvio que a população grega tem de sofrer muito, dado o maciço aperto do orçamento. O que é que os cidadãos gregos podem esperar do Governo no futuro?

ML: Infelizmente, parece que os cidadãos gregos vão estar sob a ameaça de medidas reforçadas de austeridade, como a redução da despesa pública e o aumento dos impostos. Isto acontece, principalmente, porque a fim de aliviar a situação no que respeita à dívida, o Governo grego precisa de cortar cerca de 80 mil milhões de euros. Precisa de decidir isso até julho e precisa de estabelecer um plano de cinco anos ou então o default é a única hipótese e torna-se muito mais difícil para a Grécia como país fazer negócios.

E: A Moody’s colocou em vigilância três bancos franceses, por causa da exposição ao mercado grego. Os bancos alemães estão, provavelmente, numa situação semelhante. Em geral, qual é a dimensão do risco para os investidores na Europa?

ML: É bastante significativo. Sabemos que alguns bancos alemães reduziram a exposição, como o Deutsche Bank. Reduziram a sua exposição para perto de zero. Alguns bancos alemães não estão tão expostos como os franceses e é por isso que há esta ameaça de downgrade da Moodys. Há também bancos do Reino Unido com uma exposição significativa e isto está a ter quase um efeito dominó nestes países. Portanto, se algo acontecer na Grécia e se a situação continuar como até aqui, então vai ter um efeito dominó no resto da Europa.

E: No passado, os investidores passaram pela “Crise do Tango”, pela “Crise da Tequila” e muitas outras e conseguiram sobreviver. Chamemos ao problema grego a “Crise Sirtaki”. Durante quanto mais tempo vamos ter de dançar isto?

ML: É muito difícil de dizer neste momento, porque estamos a ver o yield da dívida grega a continuar a aumentar quase numa base diária. O seguro para cobrir a dívida grega, os credit default swaps, também continuam a subir. Não parece haver um fim à vista para resolver a crise da dívida grega. É muito difícil de prever.