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Presidência europeia: o desafio polaco

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Presidência europeia: o desafio polaco

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A Polónia prometeu à Europa uma injeção de optimismo e, poucos dias antes de iniciar a presidência rotativa da União Europeia, inaugurou, em Bruxelas, uma exposição de arte contemporânea para mostrar a imagem pós comunista e o progresso do país.

Para o politólogo Piotr Piotr Kaczynski, há uma preocupação: o facto de haver eleições legislativas durante a presidência.

“As eleições de outubro vão provavelmente ameaçar a presidência porque nãoo vai haver consenso no interior da Polónia sobre o que é preciso fazer nesta presidência. A oposição vai atacar o governo; o governo vai responder à oposição. Esta dinâmica vai politizar o debate e fazer mais pressão sobre o governo para chegar a resultados dificeis de alcançar, numa altura em que já há imensa pressão dos outros 26 países em torno da presidência para encontrar consensos sobre diversos pontos”, afirma.

Mas há também a questão orçamental. A Polónia, que tenta dotar-se de infraestruturas modernas, é um dos grandes sorvedouros dos fundos estruturais e defende, obviamente, o crescimento orçamental, o que vai contra a corrente de redução que consta da proposta para o período 2014 a 2020.

“Vai haver um verdadeiro combate. Com diferenças de opinião no interior da União a 27. Podemos para já antecipar grandes histórias vindas de Londres, mas há também os países que são os beneficiários líquidos do futuro orçamento que formaram uma coligação e não vão dar-se por vencidos facilmente. O desafio vai ser manter o debate numa perspectiva realista. Não devemos sobrestimar as ambições nesta matéria”, alerta Kaczynski.

Outro grande desafio desta presidência para a União no seu conjunto é o ambiente. A Polónia bloqueou o acordo comunitário sobre as emissões de dióxido de carbono. As críticas não foram suaves. O assunto é tanto mais preocupante, quanto, em Dezembro, é Varsóvia quem vai representar a União Europeia na conferência sobre o clima, em Durban, na África do Sul.

Como lembra a jornalista Galina Polonskaya:

“Solidariedade – O movimento sindical de Lech Walesa – já se tornou no slogan da retórica da presidência polaca. Mas, alguns dias antes de receber o testemunho da Húngria, a Polónia parece ter-se esquecido da sua própria divisa, rejeitando as propostas da União para a redução das emissões de carbono. Como é que isso vai influenciar a política ecológica da Europa é uma questão que permanece sem resposta”.