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A Alemanha depois do fim do serviço militar obrigatório

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A Alemanha depois do fim do serviço militar obrigatório

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A Alemanha despediu-se do serviço militar obrigatório. A lei entrou em vigor a 1 de julho, fazendo destes jovens os últimos a serem chamados, após 55 anos de vínculo forçado. O último grupo de recrutas data de 3 de janeiro.

De agora em diante, apenas os cidadãos voluntários e profissionais farão parte da “Bundeswehr”, o Exército Federal.

A reforma visa reduzir o contingente atual, de 220 mil soldados, a um máximo de entre 170 a 185 mil efetivos.

O antigo ministro da Defesa, Karl-Theodore zu Guttemberg, foi o impulsionador desta reestruturação, que pretende profissionalizar o Exército nacional.

Em dezembro do ano passado, o Governo de Angela Merkel aprovou a reforma na sequência de um longo debate entre as três formações governamentais: a União Democrata -Cristã (CDU), a União Social-Cristã (CSU) e o Partido Democrático Liberal (FDP).

No entanto, foi preciso ultrapassar as pressões internas dos democratas-cristãos, para quem a medida prejudicaria o princípio constitucional que as Forças Armadas devem estar vinculadas à sociedade alemã.

Uma garantia de que o Exército, fundado em 1956, 11 anos após a derrota da Alemanha nazi, não se pudesse converter numa força elitista com o próprio poder político.

O outro dogma: “nada de botas alemãs em território estrangeiro, os soldados alemães limitam-se a defender-se e a defender as fronteiras da RDA.”

A República Democrática Alemã caiu a 24 de março de 1999, quando o chanceler Gerhard Schröder anunciou aos compatriotas que os soldados alemães participariam na missão da NATO no Kosovo.

Com o argumento de que se tratava de uma força de manutenção da paz, os militares da Bundeswehr pisam território estrangeiro pela primeira vez desde a sua criação. Os soldados chegaram ao Kosovo a 12 de junho de 1999 através da fronteira da Macedónia.

Nove anos depois, a Alemanha destacou 4970 soldados para o Afeganistão. No terreno, as tropas envolveram-se em operações cada vez mais perigosas e 52 homens perderam a vida.

Atualmente, a Bundeswehr pode enviar para o estrangeiro sete mil soldados, que passarão a dez mil com a reforma. Um número ainda distante dos 22 mil e 30 mil que podem destacar o Reino Unido e a França respetivamente.