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Itália tenta evitar contágio

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Itália tenta evitar contágio

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O mercado italiano expressou confiança limitada na capacidade do Governo para tirar o país da crise financeira.

Na sexta-feira, o Parlamento aprovou um pacote de austeridade no valor de 79 mil milhões de euros, que deve permitir à Itália alcançar o equilíbrio orçamental em 2014.

Um plano que tem como objetivo evitar um contágio da crise da dívida e proteger o país do ataque dos mercados. Um plano que desencadeou um coro de protestos, com muitos a acusarem as medidas de atingirem os mais pobres.

Entre as medidas destinadas a reduzir o défice estão o lançamento de um plano de privatizações em 2013, o congelamento dos salários e das contratações de funcionários e uma severa redução das deduções fiscais.

Em Itália, cresce a especulação de que Berlusconi pode ser forçado a demitir-se antes do fim do mandato, em 2013.

Itália, a próxima vítima?


 
A Euronews entrevistou Tito Boeri, professor de Economia na Universidade de Bocconi, a propósito do risco de contágio da crise da dívida soberana europei à Itália.
 
 
Euronews:
Crise da dívida, contágio entre os países da zona euro, os Estados Unidos à beira do incumprimento, risco de colapso do euro… Professor Tito Boeri, a aprovação pelo parlamento do plano de austeridade não é suficiente para acalmar as preocupações sobre as finanças italianas. Esta onda de vendas na Bolsa de Milão é o último ato da fragilidade política do Governo de Sílvio Berlusconi?  
  
Tito Boeri:
Os mercados e os investidores não confiam no nosso país. Receiam que não tenha capacidade para avançar com o processo de cura, com o qual se comprometeu a nível europeu. Tudo isto ajudou a criar um clima negativo e agora é muito difícil inverter isto. É preciso dar sinais muito fortes e, infelizmente, temo que o pacote de austeridade não seja suficiente para acalmar a especulação do mercado.
 
Euronews:
Professor Boeri, o senhor fala da credibilidade da classe política italiana. Neste ponto, eleições antecipadas são a única solução?
 
Tito Boeri:
Neste contexto, temos, provavelmente, necessidade de dar sinais de continuidade política. Eu não estou a dizer para haver novas eleições, o que iria criar uma grande fase de instabilidade, mas antes uma intervenção direta com a criação de um governo de solidariedade nacional, com um forte apoio de todas as forças políticas, uma parte da atual maioria e da oposição, que leve para a frente um programa de reformas, sobretudo para o crescimento económico. Isto poderia dar um sinal forte, que poderia ser apreciado nos mercados.
 
Euronews:
Como é que a União Europeia chegou a este buraco negro?
 
Tito Boeri:
Eu acho que a classe política na Europa deve tomar nota do facto de que há muitos problemas entre os países, e em casos como a Grécia, ordenar uma reestruturação ordenada da dívida grega. A nível europeu criou-se uma união monetária, que só se pode manter se for acompanhada por uma forte coordenação fiscal. Criar uma união monetária sem uma união fiscal é um risco muito elevado, porque há sempre um risco elevado de querer recuar.