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Sérvia vira a página rumo à Europa

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Sérvia vira a página rumo à Europa

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A detenção de Goran Hadzic representa a última via do difícil processo forjado entre a diplomacia de Bruxelas e a justiça de Haia.

Dezoito anos de negociações, marcadas por investigações mais ou menos exaustivas no terreno e conflitos com diferentes forças de segurança nacionais, para capturar e julgar 161 pessoas acusadas de crimes durante os conflitos na ex-Jugoslávia, no início dos anos 90.

No banco dos réus no Tribunal Penal Internacional para a antiga Jugoslávia sentam-se e sentaram-se altos responsáveis sérvios, como Milosevic, Karadzic e Mladic, mas também responsáveis croatas como Ante Gotovina.

O antigo comandante que dirigiu em 1995 a operação para expulsar os sérvios da autoproclamada República Sérvia de Krajina foi condenado a 24 anos de prisão. A detenção abriu à Croácia as portas da União Europeia e sobretudo marcou o caminho a seguir pela Sérvia, na busca por criminosos de guerra.

Em 2006, a União Europeia aumenta a pressão sobre Belgrado e bloqueia as negociações do Acordo de Estabilização e Associação com a Sérvia, que antecede a candidatura à adesão, para por termo à paralisação das autoridades sérvias depois da detenção de Slobodan Milosevic em 2001.

A perspetiva europeia supera a hostilidade de uma parte da população sérvia contra o Tribunal de Haia, rotulado de antisérvio por parte da opinião pública.

Belgrado intensifica a perseguição e consegue deter todos os suspeitos acusados pelo TPI. Um esforço saudado hoje em Bruxelas e Haia.

“À medida que a Sérvia avança para resolver problemas do passado, caminha para um futuro com uma grande perspetiva europeia”, disse a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.

Frederic Swinnen, conselheiro especial do procurador do TPI, acrescenta: “A Sérvia deu provas visíveis de que a colaboração com o tribunal não é uma promessa vazia, mas um compromisso genuíno. Esperamos que agora a Sérvia nos ajude com o trabalho que temos entre mãos.”

A detenção de Hadzic marca o princípio do fim do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Jugoslávia.

Para a Sérvia também assinala o término de um processo longo e sinuoso que desemboca mais perto da Europa.