Última hora

Última hora

Acordo do Eurogrupo: pragmatismo e concessões para evitar contágio grego

Em leitura:

Acordo do Eurogrupo: pragmatismo e concessões para evitar contágio grego

Tamanho do texto Aa Aa

Mais do que um castigo, uma reprimenda. Os países da zona euro admitem um “incumprimento parcial” da dívida grega, depois do fracasso do primeiro plano de resgate financeiro, no valor de 110 mil milhões de euros.

Mas este incumprimento é controlado. O novo plano aprovado ontem por Bruxelas, alivia a pressão dos mercados sobre a Grécia e cria ainda um embrião para o Fundo Monetário Europeu, de ajuda às outras economias debilitadas.

Os 17 países da Eurozona e o FMI deram à Grécia mais dinheiro e mais tempo para pagar a dívida: 109 mil milhões de euros adicionais, com uma redução das taxas de juro da dívida e um alargamento do prazo de maturidade de até 30 anos.

“Precisávamos de um pacote credível, temos um pacote credível. Envolve as preocupações dos mercados e dos cidadãos. Também responde às preocupações de todos os Estados-membros”, disse o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso.

Para amortizar o incumprimento parcial da Grécia e evitar a especulação sobre a dívida do país, mas também da irlandesa e portuguesa, os 17 impulsionaram a criação de um Fundo Europeu de Emergência, sobre o qual se começou a falar em março.

O Fundo de Estabilização, que estará dotado de 440 mil milhões de euros dentro de alguns meses, poderá comprar dívida soberana no mercado secundário, recapitalizar os bancos gregos e amortizar o impacto temporário de uma declaração de incumprimento parcial por parte das agências de “rating”.

A intervenção dos credores privados era a questão mais sensível. No entanto, 90 por cento dos credores aceitam adiar o levantamento de 50 mil milhões de euros até 2014 e de 106 mil milhões até ao final da década.

“Os Governos apoiam o novo programa para a Grécia com uma contribuição voluntária do setor privado”, declarou Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu.

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, acrescentou: “Agora temos um programa, um pacote e decisões que criam um caminho sustentável para a Grécia, uma gestão sustentável da dívida grega. No final, isto significará não só o financiamento de um programa como também o desagravamento do fardo do povo grego.”

Por último, a União Europeia impulsionará um “Plano Marshall” para que a Grécia melhore a competitividade e o crescimento económico, depois de anos de estagnação.

Outra das medidas anunciadas é o desbloqueio de 15 mil dos 20 mil milhões de euros em fundos estruturais até 2013. Bruxelas aumentará ainda a taxa de cofinanciamento de projetos comparticipados.

No total, as medidas pretendem reduzir a dívida grega em 26 mil milhões de euros. A única solução para que o pais possa ver uma luz ao fundo do túnel.