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Portugal e a austeridade

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Portugal e a austeridade

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Símbolo da austeridade reforçada pelo novo executivo português, o anúncio de uma sobretaxa extraordinária de IRS, que equivale a 50 por cento do subsídio de Natal deste ano, esbarra na contestação dos sindicatos.

A medida representa uma receita de mais de mil milhões de euros para os cofres do Estado, mas pretende, acima de tudo, tranquilizar os céticos e mostrar o empenho de Lisboa no reembolso do empréstimo acordado pelo FMI e pela Comissão Europeia.

A sobretaxa pretende combater a dívida pública portuguesa, que em 2010 representava 93 por cento do Produto Interno Bruto.

Este ano deverá ultrapassar, pela primeira vez, o valor do PIB (101,7 por cento), continuando a progredir em 2012 (107,4 por cento).

Na estreia europeia depois da eleição, no início de junho, o novo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, quis mostrar que Portugal é capaz de reagir mais rápido do que a Grécia: “Não descansaremos enquanto não pudermos devolver com trabalho e com resultados a confiança que em nós depositaram. Em tudo o que depender de nós e seguramente da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, bem como do Fundo Monetário Internacional, o programa em Portugal será um sucesso.”

Após três planos de austeridade, vindos do anterior executivo socialista, o novo Governo de centro-direita tem de levar a cabo difíceis reformas a nível fiscal, cortar a despesa da máquina do Estado e avançar com um plano de privatizações, respeitando o plano de resgate.

Decisões que ameaçam agravar a herança social da crise, numa altura em que o desemprego está a aumentar. Este ano deve atingir os 12,5 por cento. Em 2012, 13,2 por cento. Nos últimos seis anos duplicou o número de beneficiários do salário mínimo.

Mas o principal desafio continua a ser o crescimento económico, que depois de seis anos perto da estagnação, deverá manter-se no vermelho, pelo menos nos próximos dois anos.

Os mercados financeiros têm dúvidas sobre a capacidade de Portugal reembolsar o empréstimo acordado pela “troika”, sem recurso a novas medidas de austeridade e uma ajuda suplementar.

No início do mês, a agência Moody’s decidiu baixar o rating da dívida soberana portuguesa para “Ba2”, que corresponde a “lixo”. Resultado: um novo aumento dos juros da dívida soberana, para valores cinco vezes superiores aos de há um ano atrás.

A somar a isso a fúria dos internautas portugueses que disponibilizaram este vídeo dedicado à Moody’s, por considerar que a situação portuguesa é ate pior do que a do Paquistão.