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Sexta-feira sangrenta de verão

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Sexta-feira sangrenta de verão

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Era uma sexta-feira quente e tranquila de verão. A poucas horas do fim de semana um violento estrondo fez-se sentir em Oslo. Uma explosão de origem ainda determinada abalava o complexo governamental da Noruega e outros edifícios.

Eram três e meia da tarde, os danos provocados pela deflagração indiciavam um balanço pesado. As autoridades apenas confirmaram tratar-se do rebentamento de um carro armadilhado hora e meia mais tarde.

A conta-gotas o número de vitimas era avançado – vários mortos e feridos. Uma das questões imediatas foi o destino do primeiro-ministro, pois o gabinete do chefe de governo, o ministério do Petróleo e o ministério das Finanças foram atingidos.

O primeiro-ministro Jens Stoltenberg não estava no local no momento do ataque. Nenhum membro do governo ficou ferido.

A sede de uma editora que havia traduzido um livro dinamarquês com caricaturas de Maomé também foi abalada, mas não seria o alvo preferencial

O exército norueguês e unidades antiterroristas entram em ação e criam um perímetro de segurança. A população foi aconselhada a deixar o centro da capital, evitar aglomerações e se possível não sair de casa.

Correram entretanto informações não confirmadas de que ainda haveria bombas por detonar e que o perigo era ainda muito grande.

A autoria do atentado continuava um mistério. Seria a Al-Qaida, pela intervenção militar no Afeganistão e pelas caricaturas de Maomé, seria um comando líbio ou ainda um clérigo muçulmano que havia ameaçado políticos noruegueses para evitar a deportação? A questão continuava sem resposta.

Entretanto, surgiu a informação de que um homem disfarçado de polícia tinha atacado com uma espingarda automática a universidade de verão do partido trabalhista do primeiro-ministro, na ilha de Utoyea, onde estavam mais de 500 jovens.

O número de vítimas aumentou. O atacante, um homem loiro, com aparência nórdica, acabou por ser detido. Muitos jovens esconderam-se. Outros atiraram-se ao mar para salvar a vida.

Ao início era uma sexta-feira tranquila de verão, mas acabou por ser um dia sangrento que a Noruega e os restantes países que travam uma luta contra o terrorismo não irão esquecer.