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Dívida é arma de fogo dos republicanos

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Dívida é arma de fogo dos republicanos

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Falta um compromisso, no Congresso para um aumento do teto da dívida, que terá de ser obtido, dentro de uma semana.

Caso contrário, as duas câmaras do Congresso não poderão validá-lo a tempo.

Este teto, fixado em 14,3 mil milhões de dólares, foi atingido em Maio. Só o Congresso o pode aumentar.

Se não houver acordo até 2 de Agosto, o Tesouro americanao ficará sem liquidez, para solver os seu compromissos.

Mas os interesses políticos sobrepõem-se às negociações. Em causa, estão as eleições presidenciais, de Novembro de 2012.

O presidente Obama quer evitar que a questão da dívida venha contaminar a campanha eleitoral.

Os democratas propõem aumentar o teto da dívida, em 2,4 mil milhões de dólares agora, o que garantiria liquidez, ao Tesouro, até Janeiro de 2013, portanto, até ao fim do mandato de Obama.

Ao mesmo tempo, comprometem-se com cortes na despesa de 2,7 mil milhões de dólares.

Os republicanos desejam aumentar o teto da dívida em dois tempos: no imediato, viria uma tranche de 1,2 mil milhões, com cortes equivalentes, durante dez anos.

Um novo aumento deveria ser negociado no próximo inverno, bem como novas reduções na despesa.

Para o presidente da Câmara dos Representantes, de maioria republicana, este é o momento para testar um argumento de campanha: a incapacidade dos democratas gerirem o orçamento de Estado:

“Eu penso que seria irresponsável para o presidente vetar esta legislação, porque é uma questão de senso comum, que nos vai ajudar a evitar a dívida. É tempo de se começar, a sério, a resolver os problemas da América, e eu acredito que é uma boa oportunidade para entrarmos na direção certa”.

O presidente do Senado, de maioria democrata, põe em causa as consequências de um acordo de curto prazo.

“Como um analista do mercado disse hoje: ‘há um risco significativo de downgrade, com um acordo que obrigue a cortes adicionais, dentro de alguns meses’. Parece-me, nesta fase, que os republicanos estão mais interessados em estorvar o presidente, do que em fazer o que é necessário, para o país”.

Em Wall Street, este braço de ferro político é classificado de irresponsável, como diz um trader:

“Penso que é ultrajante. Penso que os dois partidos deviam caminhar juntos, pôr a política de lado e caminhar em frente”.

A falta de um acordo provocaria uma crise à escala planetária. Uma degradação da nota da dívida americana obrigaria os Estados Unidos a procurar empréstimos, a taxas elevadas, nos mercados obrigacionistas.

Os mercados financeiros – europeus ou asiáticos – que detêm títulos do Tesouro americano teriam eles próprios dificuldasdes de refinanciamento.

A actividade americana seria afectada, repercutindo na economia mundial.