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Fações tribais na Líbia estão divididas

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Fações tribais na Líbia estão divididas

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Kadhafi era o inimigo comum e a razão para se manterem unidos.

No dia 12 de Abril, numa declaração publicada em Paris, 61 tribos líbias (das cerca de 140 existentes) comprometeram-se a construir uma “Líbia unida” depois da partida do ditador.

Mas, no fim de julho, o assassínio do chefe das forças armadas rebeldes, Abdel Fattah Younes, antigo ministro do Interior de Kadhafi, abalou a união. A tribo a que pertencia, Al-Obeidi, ameaça fazer justiça pelas próprias mãos…apesar desta morte ainda estar envolta em mistério.

Às rivalidades tribais no seio da rebelião juntam-se as rivalidades geográficas.

Foi no norte, em Benghazi, que a revolução começou, em 15 de fevereiro como resposta à repressão sangrenta em Tripoli.

A organização política consolidou-se, em meados de março, com a criação do Conselho Nacional de Transição, reconhecido, a nível internacional, por mais de 30 Estados.

No entanto, a rebelião deve a vitória a uma outra bolsa de resistência, na pequena cidade de Zintan, nas montanhas do sudoeste do país.

Negligenciadas pelas forças de Kadhafi, foram as tribos do Degbel Nefoussa que rumaram a Tripoli.

Mas esses homens não estão representados no Conselho Nacional.

Não existe uma verdadeira coordenação entre as cerca de 40 fações mais ou menos independentes, mais ou menos armadas, mais ou menos treinadas, que se revoltaram contra Kadhafi.

Na realidade não há um exército rebelde digno dessa qualificação. Ninguém pode saber se os comandantes locais de hoje estarão de acordo com o Conselho Nacional de Transição amanhã.

Também há o receio de os partidários do islão radical se aproveitarem das divisões tribais, nomeadamente os extremistas do GICL, grupo islâmico dos combatentes líbios, que lutaram contra o regime de Kadhafi de 1993 a 1998.