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"Leila", 19 anos, assassina à força

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"Leila", 19 anos, assassina à força

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As forças leais a Kadhafi deixaram quase todas o bairro de Abu Salim, mas deixaram para trás um grande número de mortos e feridos.

Entre esses, encontrámos uma jovem de 19 anos, uma atiradora de elite, acusada de ter morto 16 rebeldes. Há uma coisa que não conta diante das câmaras: é que, antes disso, foi violada pelos soldados de Kadhafi.

Foi há três dias, durante a tomada do quartel-general de Kadhafi, que aconteceu a história protagonizada por “Leila”, chamemos-lhe assim.

Em poucas horas, esta jovem, antiga aluna da academia militar de onde saem as tropas de elite da Líbia, matou um grande número de rebeldes.

Depois da invasão do quartel-general, tentou saltar um muro, partiu uma perna e foi capturada. Está agora no hospital, foi lá que o repórter da euronews Mustafa Bağ a encontrou.

Pode vir a enfrentar um julgamento, mas garante que foi ameaçada e obrigada a fazer tudo o que fez. Por razões de segurança, decidimos proteger a verdadeira identidade de “Leila”.

“Leila”: Deram-me uma arma para a mão e traziam-me uma ou duas pessoas de cada vez. Pediram-me que as matasse. Havia um de cada lado e um atrás de mim. Diziam-me: “mata-os ou matamos-te a ti”.

Depois, trouxeram-me mais pessoas, puseram-nas debaixo de várias árvores e pediram-me também que as matasse. Foi o que fiz, mas virava a cabeça para o lado cada vez que disparava.

Mustafa Bağ, euronews: Como se sente com esse trabalho que foi obrigada a fazer?

“Leila”: Tenho muita pena. Muita pena mesmo.

Mustafa Bağ, euronews: Como é que as forças de Kadhafi a trataram?

“Leila”: Não me trataram nada bem.