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Balde de água fria para a indústria espacial

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Balde de água fria para a indústria espacial

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A perda do cargueiro espacial russo Progresso, na passada quarta-feira, foi um balde de água fria para a indústria espacial. A sua função era reabastecer a Estação Espacial Internacional, ISS, mas acabou por cair no sul da Sibéria. Era transportado por um foguetão Soyuz.

A Agência Espacial Russa, decidiu entretanto suspender o lançamento de todos os Soyuz até estarem esclarecidas as causas do acidente.

Como consequência, o regresso de três membros da tripulação da ISS foi adiado uma semana.

Mas, por agora, o gestor do programa da Estação Espacial na NASA não vê qualquer problema: “Logisticamente, a ISS está numa boa posição para ultrapassar estas perdas, na verdade, e se for necessário, conseguimos passar vários meses sem que venha um veículo de reabastecimento”, explica Mike Suffredini.

Ivan Moisseyev, diretor científico do Instituto da Política Espacial de Moscovo, levanta outras questões: “O abastecimento pode ser assegurado pelo Japão e pela França. Eles têm bons aparelhos mas são pouco utilizados e não é possível contar com eles para uma provisão regular, se não houver uma mudança estrutural. Se acontecer um acidente semelhante com um Soyouz, ou Progresso, será necessário evacuar o ISS.”

Se, por um lado, este é o primeiro acidente deste tipo com um cargueiro espacial russo, nos últimos trinta anos, por outro, a agência espacial russa perdeu cinco satélites em nove meses devido a problemas técnicos.

Desde os anos 60 que indústria espacial russa aposta na produção em massa em detrimento da qualidade.

Apesar disso, e das reduções significativas no financiamento nos anos noventa, este tem vindo a aumentar desde 2005.

Mesmo assim a Agência Espacial Russa continua a pagar mal, um engenheiro em início de carreira recebe metade do salário médio em Moscovo.

Apesar dos reveses, e tal como os americanos, os europeus dizem-se otimistas. Talvez por isso, e apesar de estar particularmente exposta a eventuais problemas com o Soyuz, a Agência Espacial Europeia investiu 500 milhões de euros na construção de um novo centro espacial na Guiana francesa para o Soyuz, a sua primeira missão está prevista para novembro.