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Resistência da Zona Euro à crise depende de maior credibilidade dos governos

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Resistência da Zona Euro à crise depende de maior credibilidade dos governos

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O impacto da turbulência dos mercados financeiros na economia real preocupa o comissário para os Assuntos Económicos e Monetários. Ao Parlamento Europeu, Olli Rehn realçou que o crescimento vai continuar a desacelerar, mas não acredita na solução das obrigações do tesouro europeias.

“As obrigações do tesouro europeias, seja qual for a forma como sejam definidas, teriam de ser acompanhadas por uma monotorização fiscal substancialmente reforçada e por uma coordenação política. Seriam as contrapartidas para evitar mais danos e assegurar a sustentabilidade das finanças públicas”.

Por seu lado, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, pediu mais eficácia dos governos, já que a crise financeira se mantém aguda.

A repórter da Euronews, Fariba Mavaddat, questionou o presidente do BCE sobre a resistência da moeda única.

Jean-Claude Trichet: O euro é uma moeda muito sólida, que de forma notável tem mantido o seu valor ao longo do tempo, tanto a nível interno como internacional. Ninguém questiona o euro enquanto moeda. Se o euro enquanto moeda fosse questionado, não estaríamos a observar a actual situação nos mercados. Além disso, se considerarmos a Zona Euro como um todo, a moeda única encontra-se numa posição muito sólida. Deixe dar-lhe um exemplo: no que se refere ao défice das finanças públicas, a Zona Euro como um todo atingiu provavelmente 4,5% do PIB, enquando que nos Estados Unidos e no Japão atingiu os 10%, bem como outros valores elevados em várias economias desenvolvidas. Logo, o que se passa na Zona Euro é um problema de falta de credibilidade de alguns dos seus membros e não tanto do euro como plataforma global e como moeda.

Fariba Mavaddat: Existe a impressão de que o público está a perder a confiança nos governos, nos líderes, e que sentem que o mundo é dirigido pelo sector financeiro e pelas agências de crédito…

JCT:Todos os governos, particularmente os da Europa, estão a tentar lidar com uma situação que é obviamente muito difícil.

Estamos a viver um período na História mundial que é muito, muito especial: é a mais grave crise financeira – isto é, uma crise económica – desde a Segunda Guerra Mundial. Logo, é algo de grande dimensão: na Europa, nos Estados Unidos, no Japão e no resto do mundo.

Temos de aprender com as consequências desta crise, em todos os domínios, incluindo obviamente os mercados financeiros e todo o sector financeiro, nos quais muitas reformas devem ser implementadas de forma rigorosa. E, na Europa em particular, temos a necessidade de melhor a governação”.

FM: O problema ficaria resolvido se uma ou duas das economias mais fracas deixassem de ser membros da zona euro?

JCT: Os que não se comportaram bem no passado devem corrigir a sua trajetória. É muito interessante observar hoje como estão as economias mais avançadas em termos de resistência à crise mundial. Se virmos além da zona euro, há o caso do Canadá. O Canadá teve problemas muito dramáticos nos anos 90, há o caso da Suécia e dos países escandinavos, que tiveram problemas dramáticos no início dos anos 90. Por isso, quando há um problema tem de se avaliar as consequências e corrigir a trajetória para depois poder ser mais resiliente.

FM: Como se pode aumentar o controlo sobre as agências de rating?

JCT: Mais uma vez trata-se de uma questão de contornos globais. É óbvio que temos um estrutura de tipo oligopólio, com um pequeno número de instituições que exercem influência num grande número de mercados e nos membros desses mercados. Mas não há uma solução rápida neste domínio, pelo que devemos mantermo-nos prudentes.