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Líbia: os desafios de um país sem Kaddafi

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Líbia: os desafios de um país sem Kaddafi

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São enormes os desafios que se colocam a uma Líbia sem Muammar Kaddafi. Ao fim de quatro

décadas de ditadura e depois de um conflito armado, tudo está por fazer, sobretudo uma certa ideia de democracia importada do ocidente.

Os países que agora se reúnem para repensar o futuro da Líbia têm como cenário a confusão e uma população que, apesar da liberdade, olha com algum ceticismo para as novas estruturas dirigentes.

As divisões internas são enormes. O Conselho de Transição é constituído pelos resistentes vindos do Leste mas também por dignitários do regime que passaram para a oposição.

Sobre eles recai a dificil tarefa de criar um governo legítimo e estável no qual estejam representados todas as regiões e tribus do país. E o tempo urge. Os líbios têm falta de comida, água, combustíveis, cuidados de saúde e têm também que que aprender a criar e a gerir uma máquina administrativa para o país.

Com os olhos postos nas prioridades políticas e económicas já foram realizadas inúmeras reuniões.

Quais são os desafios que o país enfrenta?

Foi a pergunta que colocámos ao professor Hasni Abidi do Centro de Estudos e Investigação do Mundo Árabe e do Mediterrâneo, com sede em Genebra.

Aissa Boukanoun – Que papel vão ter no futuro da Líbia a França e os outros países que participaram na campanha militar?

Hasni Abidi – A França e o Reino Unido lideraram as operações militares contra o regime de Kadhafi e ajudaram os rebeldes a derrotar Kadhafi, mas penso que o mais importante para a Líbia é desenvolver um novo sistema e novas instituições que ajudem a governar o país. A Líbia não tem nenhumas instituições exceto a que era dirigida por Kadhafi.

Os desafios no futuro são enormes e não creio que o Conselho Nacional de Transição, tenha capacidade para os enfrentar sozinho.

A B – Qual deverá ser a estratégia para desarmar os rebeldes e as forças pró-Kadhafi, para que as armas fiquem apenas nas mãos das forças de segurança oficiais?

H A – Todos sabemos que existem grupos islâmicos entre os rebeldes e que existe um grande número de armas espalhadas por todo o país.

Vieram tanto de Kadhafi, como de países estrangeiros e outras foram contrabandeadas através das fronteiras. Vai ser muito difícil encontrar uma forma de recuperar essas armas.

A B – Como vê as relações entre a Argélia e a Líbia, depois da Argélia ter recebido familiares de Kadhafi?

H A – Não acho que o facto da Argélia receber parte da família de Kadhafi por razões humanitárias vá pôr um fim às relações com a Líbia. No Conselho Nacional de Transição existe uma ala pragmática e realista que pretende estabelecer relações sadias com os países vizinhos, particularmente com a Argélia.

A B – Acha que a Líbia, sem pluralismo político desde 1969, está preparada para uma experiência democrática?

H A – Existe algum receio. particularmente de pois de alguma informação sugerir que algumas organizações participaram na guerra do Afeganistão.

É o caso da Aljama’a Almoqatila liderada por Bilhaj, o atual chefe do conselho militar de Tripoli.

O receio é que essas organizações possam vir a envolver-se no sistema político. Assim sendo, o Conselho Nacional de Transição não está preparado e não pode governar, mas é uma ferramenta que deve ser utilizada na transição para um novo sistema político.