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Zona euro: Semana económica decisiva

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Zona euro: Semana económica decisiva

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A Europa entra numa semana decisiva na batalha dos governos contra a crise da dívida.

Nos próximos dias, uma série de testes políticos e legais poderão prejudicar os esforços dos executivos e obrigá-los a adotar soluções mais radicais.

O Banco Central Europeu, dividido internamente pela intervenção nos mercados de obrigações para proteger Itália, reúne-se esta quinta-feira para decidir se as compras estão a piorar a situação ao reduzir o impacto para que Itália reforme as Finanças.

Ao mesmo tempo, uma decisão judicial poderá reduzir a liberdade da Alemanha, o maior contribuinte para o Fundo de Resgate da zona euro, na hora de ajudar países afetados pela crise.

O Tribunal Constitucional Federal poderá impor às autoridades uma consulta parlamentar sempre que se contemple um plano de salvamento.

Uma decisão que poderá complicar a capacidade de reação da Alemanha frente à crise da dívida.

Por outro lado, a Grécia conhecerá sexta-feira até que ponto foi eficaz em persuadir os investidores privados a participar numa permuta de obrigações destinada a cortar a dívida astronómica de 340 mil milhões de euros.

Atenas quer que 135 mil milhões de euros em obrigações sejam trocados ou reprogramados e advertiu que o programa total, e talvez até o seu plano de para receber um segundo resgate internacional, poderão estar ameaçados se esse objetivo não for cumprido.

Euronews: A crise do euro é um fardo incrivelmente pesado para o Governo de Angela Merkel, que está a enfrentar uma semana particularmente difícil. Vamos falar acerca deste tema com Claudia Kade, correspondente do Financial Times Deutschland. Claudia, os partidos da coligação governamental acabam de sofrer mais uma derrota numa eleição estadual. É o resultado de uma tentativa falhada de explicar ao povo a ação de Merkel durante a crise do euro?

Claudia Kade: Penso que sim. A chanceler alemã, que é também a presidente dos democratas-cristãos, tem seguido um caminho sem precedentes de hesitações na crise do euro. A imagem que ela e e o seu parceiro político, os Liberais, criaram é absolutamente devastadora e eu penso que os eleitores não gostam disso. Os eleitores não querem ser governados por uma coligação que está dividida. Estamos numa crise tão séria que as pessoas querem liderança, mas não a têm. É por isso que a última derrota eleitoral é uma reação à sua indecisão sobre a Europa.

E: Falemos agora sobre a agenda desta semana. Na terça-feira, os ministros das Finanças da Alemanha, da Finlândia e da Holanda reúnem-se em Berlim. Parece uma reunião dos mais críticos do resgate grego. Dadas as dúvidas crescentes do programa de austeridade grego, o que podemos esperar deste encontro?

CK: O que está em causa aqui é um simples plano de como a Europa deve ser no futuro. Se vamos ter uma Europa com duas classes, em que há um grupo de países que são capazes de gerir as Finanças e de controlar as dívidas e uma segunda Europa endividada que fica para trás. O ministro alemão das Finanças Schäuble e os seus dois colegas querem determinar as condições para o apoio financeiro. Se os países credores devem reclamar garantias especiais de países como a Grécia, etc. O Governo de Berlim está a ficar cada vez mais inquieto quanto à Grécia, agora que sabemos que há cada vez mais dúvidas acerca do programa de reforma da Grécia.

E: Na quarta-feira, o Tribunal Constitucional alemão emite a sua decisão sobre o mecanismo europeu de estabilização financeira. Os analistas não acreditam que o tribunal vai declarar o EFSM inconstitucional, mas tem o Governo razões para temer a decisão?

CK: Sim, o texto da decisão de quarta-feira será de extrema importância para Angela Merkel. O Tribunal vai determinar quanto poder político ela vai poder usar em Bruxelas, quão fortes vão ser os seus compromissos e as suas promessas nas reuniões da União Europeia, sem o Parlamento alemão revogar as suas decisões semanas depois. A decisão do Tribunal vai determinar o espaço de manobra do chanceler no que respeita ao balanço de poder entre ele e os membros do parlamento.

E: Ao dirigir-se ao Congresso na quinta-feira, o presidente Obama tenta tomar a iniciativa em termos de gestão da crise. Pensa que Angela Merkel também precisa de tomar uma ação audaciosa como essa?

CK: Seria absolutamente necessário. Mas eu tenho muitas, muitas dúvidas sobre se ela faria uma coisa dessas. Ela não é uma grande oradora, nem uma pessoa empática. Ela podia tomar a iniciativa e discursar na quarta-feira, no Parlamento, quando começa a discussão do orçamento. Tradicionalmente, um chanceler pode usar este momento para explicar os grandes princípios das políticas. E dada a crise atual, isso seria absolutamente necessário. As pessoas querem saber o que as espera, onde é que o chanceler alemão as leva. Mas o meu palpite é que Merkel não vai aproveitar o momento.