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Enviado da UE optimista com a parceria com o CNT para reconstruir Líbia

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Enviado da UE optimista com a parceria com o CNT para reconstruir Líbia

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A vida regressa lentamente à normalidade em Tripoli, mas os habitantes da capital da Líbia ainda encontram sérias dificuldades na rotina diária.

A recolha de lixo, o acesso a água potável, comida e medicamentos são alguns dos problemas, na cidade agora controlada pelas forças anti-Kadhafi.

As questões de segurança, face à dispersão de armas em mãos civis, e o acesso ao combustível são outras prioridades para o Conselho Nacional de Revolução.

Os revolucionários líbios

contam com a ajuda internacional para restabelecer a normalidade, mas querem que o esforço de reconstrução seja o mais autonóno possível, como foi transmitido ao enviado especial da UE. A correspondente da Euronews em Bruxelas, Raquel Garcia, entrevistou Agostino Miozzo, director do departamento Crisis Response, pertencente ao Serviço Europeu de Acção Externa.

Raquel Garcia: “Bem vindo à Euronews, Agostino Miozzo. Acabou de regressar de Tripoli, onde inaugurou a delegação da União Europeia.

O nosso correspondente na cidade falou consigo há uma semana.

Agora que está em Bruxelas, depois de terminada a sua missão, que conclusões tirou do que se passa no terreno?”

Agostino Miozzo: “A situação é ainda muito frágil. Sente-se que a cidade quer voltar à normalidade, mas há ainda muitas variáveis.

Existe uma fragilidade no tecido social, há demasiadas armas dispersas, demasiados homens jovens com a suas kalashnikovs.

Essa presença das armas deu-me uma impressão de grande instabilidade”.

RG: “O que pode fazer a Europa para contribuir para maior segurança?”

AM: “Esta missão, enquanto equipa avançada que se deslocou a pedido da Alta Representante Catherine Ashton, constitui já um forte sinal da presença de todo o sistema europeu no território líbio.

O facto de termos hasteado a bandeira europeia no hotel onde abrimos a delegação é um sinal muito forte para os representantes políticos do futuro governo e para a população.”

RG: “Descobrir o paradeiro de Kadhafi é uma condição indispensável para o regresso à normalidade?”

AM: “Encontrar Kadhafi é muito importante. Kadhafi é uma espécie de fantasma assombrador, uma presença angustiante – não apenas Kadhafi enquanto pessoa física, mas Kadhafi enquanto sistema que representa. Kadhafi perdeu a guerra. Kadhafi está acabado. Mas Kadhafi ainda está presente e causa preocupação.”

RG: “A NATO exclui a possibilidade de enviar tropas para o terreno. A União Europeia está preparada para enviar uma missão civil para a Líbia? Se sim, quando?”

AM: “Mostrámos a nossa disponibilidade e o Conselho mostrou a sua disponibilidade. Cabe ao próximo governo líbio dizer aquilo de que precisa. Sabemos que não precisam de financiamento, porque a Líbia é um país rico. Mas concerteza que precisarão de assistencia técnica, da ajuda de peritos, e isso a Europa pode dar-lhes.”

RG: “Durante a sua visita a Tripoli encontrou-se com membros do CNT, incluindo alguns membros da indústria petrolífera. Os contratos assinados por Kadhafi vão ser respeitados?”

AM: “O discurso vai no sentido de fazer negocios como de costume. E negocios como de costume significa, por um lado, o respeito pelas obrigações internacionais do anterior governo e, por outro lado, que localmente os técnicos e trabalhadores possam regressar ao trabalho. Posso contar uma história engraçada: quando estava em Tripoli vi um sms que foi enviado para todos os telemóveis do país, dizendo a toda a gente para voltar aos locais de trabalho no final do Ramadão”.