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Exposição à Grécia faz afundar bancos franceses

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Exposição à Grécia faz afundar bancos franceses

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A Grécia só tem dinheiro até outubro. O anúncio foi feito pelo vice-ministro das Finanças.

Na quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional debate a transferência de mais 8 mil milhões de euros para Atenas. Um dia depois, a reunião dos ministros das Finanças da zona euro deve focar-se na possibilidade de a Grécia entrar em incumprimento e poder abandonar o euro.

Os principais bancos franceses afundaram na bolsa de Paris. Há receios de que a agência Moody’s corte a avaliação das instituições financeiras, em grande parte por causa da Grécia.

O Banco de França já garantiu que as instituições têm os meios para lidar com a crise grega, seja qual for o desfecho.

A exposição do BNP Paribas à Grécia atinge os cinco mil milhões de euros. Seguem-se o Société Générale com 2,6 mil milhões, o grupo Caisse d’Epargne – Banque Populaire com 1,2 mil milhões e o Crédit Agricole, com 0,6 mil milhões.

“Penso que a falência da Grécia é uma possibilidade há vários meses. O que nos perguntamos é quando? O que seria verdadeiramente desastroso seria haver uma falência não preparada, ou seja, uma reestruturação da dívida grega mais importante do que aquela que tivemos a 21 de julho”, afirma André Sapir do think tank Bruegel.

As seguradoras e os bancos franceses são os maiores detentores estrangeiros de dívida grega. São também importantes credores da Itália, que se encontra cada vez mais na linha de fogo dos mercados. A Moody’s deve também cortar o rating da Itália esta semana.

A propósito deste tema, a Euronews entrevistou Philippe Waechter, diretor dos Estudos Económicos na Natixis Asset Management.

Euronews: O pânico e as vendas maciças atormentam, há três meses, as praças financeiras europeias. Os bancos franceses estão na mira e o euro no nível mais baixo em dez anos. A bolha financeira chegou dramaticamente ao coração da Europa?

Philippe Waechter: No final da semana passada, após a demissão de Jürgen Stark do seu posto de economista chefe do BCE, esperávamos intervenções mais maciças dos governos durante o fim-de-semana, porque vimos, na sexta-feira, que as antecipações dos investidores refletiam uma forte interrogação sobre a situação da zona euro, a maneira como a Grécia poderia sair desta situação, desta fase difícil. Nós estamos numa situação que continua extremamente perigosa e que necessita muito claramente da intervenção dos governos, porque o euro é, antes de mais, uma construção política, a Europa é uma construção política e os governos devem intervir, dar um sinal, dar um sentido a esta construção da zona euro, a esta construção europeia. É isso que esperam hoje os investidores.

E: Se a situação se agravar, o BNP Paribas, o Crédit Agricole e o Société Générale, que são os três pilares do sistema bancário francês, serão provavelmente nacionalizados. Isso não pode inflamar ainda mais os mercados bolsistas e fazer explodir a zona euro?

PW: Esses bancos detêm ativos, dívidas soberanas italianas ou gregas e nós vemos bem que a degradação e essas dívidas podem pesar sobre as suas carteiras. É por isso que em vez de esperar que os bancos vejam a sua situação se degradar de uma maneira permanente, o Banco Central Europeu deve intervir para limitar os riscos associados à situação atual. Caso contrário, pode haver consequências dramáticas.

E: A demissão de Jürgen Stark é a prova de um agravamento das tensões entre o norte e o sul da Europa?

PW: Primeiro, é uma tensão no seio do Banco Central Europeu, que mostra bem, e nós tínhamos visto isso no mês de agosto na conferência de imprensa de Jean-Claude Trichet, que nem todo o mundo está de acordo sobre o programa de compra de dívida. E, finalmente, a partida de Jürgen Stark poderá, eventualmente, dar mais liberdade ao Banco Central Europeu para intervir sobre a dívida de uma maneira mais direta e, porventura, mais durável. O sucessor de Jürgen Starck parece, à partida, tendo em conta o seu curriculum, um pouco mais pragmático. Poderemos, eventualmente, encontrar elementos de solução com essa chegada ao Conselho do Banco Central Europeu.