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Berlusconi tenta reconquistar confiança com plano de austeridade

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Berlusconi tenta reconquistar confiança com plano de austeridade

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Silvio Berlusconi deslocou-se a Bruxelas numa operação de sedução para tentar reconquistar a confiança das instituições europeias

O primeiro-ministro italiano afirma que o seu plano de austeridade vai salvar o país e trazer o equilíbrio às contas da península transalpina até 2013.

Para muitos dos seus compatriotas descontentes com as medidas de recuperação económica, Berlusconi está a atirar areia para os olhos de todos.

“O plano pode ter um efeito de redução do défice, mas é ao mesmo tempo extremamente negativo em termos de perspetivas de crescimento”, defendeu um italiano que se deslocou a Bruxelas para participar na manifestação contra o plano de austeridade de Berlusconi.

Uma manifestante italiana em Bruxelas não tem dúvidas. “O facto de o plano ter sido alterado quatro ou cinco vezes confirma que o governo não é capaz de responder às necessidades do país e que é necessário que a Europa e a comunidade internacional façam pressão para haver resultados, que mesmo assim são magros.”

Em Roma, centenas de italianos protestaram na segunda-feira à frente da Câmara dos Deputados para denunciar não só o plano de austeridade, mas também as hesitações do governo para conceber um projeto que acaba por ser bem mais dispendioso do que o que estava inicialmente previsto.

Na passada terça-feira, milhares de italianos invadiram as ruas das grandes cidades do país. Mas pouco a pouco a mobilização começa a perder força, devido a uma certa resignação.

Os números explicam porquê: a dívida do país ascende aos 1.9 biliões de dólares, ou seja 120% do PIB. Há 10 dias, o executivo endureceu o plano de austeridade, em troca do apoio do Banco Central Europeu.

Entre as principais medidas estão o aumento do IVA em um ponto, o que deverá corresponder a mais 700 milhões de euros nos cofres do Estado até ao final do ano e mais de quatro mil milhões em 2013.

Um imposto sobre as maiores fortunas do país, que entretanto foi reduzido a pedido de Berlusconi. Este imposto só afetará os salários anuais superiores a 300 mil euros.

E por último, o aumento da idade da reforma para as mulheres, passando de 60 para os 65 anos.

O plano prevê também cortes nas despesas do governo e das administrações locais e uma repressão acrescida contra a evasão fiscal, que poderá a partir de agora ser punida com penas de prisão.