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Incidente em central francesa relança discussão sobre segurança nuclear

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Incidente em central francesa relança discussão sobre segurança nuclear

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A explosão que provocou um morto e quatro feridos na unidade de tratamento de resíduos radioactivos da central nuclear de Marcoule, no sudeste da França, reabriu o debate sobre a segurança nuclear na Europa.
 
O incidente ocorreu três dias antes da empresa gestora da central entregar um relatório ao organismo regulador francês.Depois do acidente nuclear em Fukushima, no Japão, em Março, estão a decorrer testes de segurança em todas as infraestruturas nucleares da União Europeia.
 
A associação europeia da indústria nuclear europeia (FORATOM) não considera necessário que estes testes sejam alargados às unidades como a que sofreu o acidente em França.
 
“É evidente que no local do incidente francês serão revistas as medidas de segurança e que serão retiradas conclusões sobre o que aconteceu. É a forma como esta indústria funciona, tendo em conta que em obras humanas ocorrem lamentavelmente incidentes, ou mesmo acidentes, mas aproveitamos a cada problema que surge para fazer mais progressos”, dise à Euronews o director-geral, Jean-Pol Poncelet.
 
A Comissão Europeia foi informada do incidente e remete uma posição para Dezembro, quando for entregue o relató rio sobre os testes em curso.
 
Mas para os deputados verdes do Parlamento Europeu, não há tempo nem dinheiro a perder.
 
“De momento há um orçamento de cerca de 70 mil milhões de euros para, de acordo com as novas normas europeias, poder aumentar a segurança no conjunto das centrais nucleares em França. É um orçamento considerável e é preciso fazer uma escolha política: queremos desenvolver o sector produtivo através das energias renováveis, do eficiente isolamento dos edifícios e da dinamização das regiões; ou queremos acorrentarmo-nos ao nuclear que nos vai custar uma fortuna?”
 
Alemanha apostada em liderar processo pelo fim do nuclear
 
Depois do acidente no Japão, várias manifestações anti-nuclear exigiram mais discussão sobre o tema, sobretudo na Alemanha. O governo de Berlim anunciou que fechará todas as centrais de forma faseada até 2022.
 
Em entrevista a Olaf Bruns, da Euronews, o líder parlamentar dos Verdes alemães, Jürgen Trittin, ex-ministro do Ambiente, defendeu o abandono da energia nuclear de forma planificada, a favor de fontes renováveis, e sem excecional reforço dos combustíveis fósseis.
 
“Nos últimos dez anos produzimos muito mais eletricidade à base de fontes renováveis do que a obtida com as centrais de produção eléctrica que fechámos – incluindo oito centrais nucleares agora encerradas. Como consequência, um quinto da energia consumida na primeira metade de 2011, na Alemanha, tem origem em fontes renováveis. A que acresce o facto agradável de 370 mil pessoas terem econtrado emprego nesse sector”, explicou.
 
O deputado acredita que outros países da UE seguirão este caminho, apesar de nem todos estarem convencidos.
 
“Assistiremos à diminuiçao do nuclear por toda a Europa. Mas em alguns países – como a Alemanha – isso vai fazer-se de forma planeada, com metas concretas para o desenvolvimento das energias renováveis; enquanto que noutros países será um pouco ao acaso, dependendo de quantas centrais decrépitas tiverem de ser fechadas. Deixo para os outros a opinião sobre qual é a forma mais inteligente de o fazer”, afirmou.
 
No que diz respeito às críticas do comissário europeu para a Energia, Günther Oettinger, sobre o plano alemão ser demasiado “nacional”, Trittin explicou que a definição de metas europeias ao nível do clima tem contado com forte contribuição alemã.
 
“Agora o Sr. Oettinger questiona até isso, já não quer essas metas. Vamos ver quem melhor cumprirá as metas europeias, rapidamente e – sobretudo -, com custos mais eficientes. Aposto que os alemães se vão sair como muito bons europeus neste campo”, disse.