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Apoio alimentar da CE aos pobres europeus pode ser reduzido em 75%

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Apoio alimentar da CE aos pobres europeus pode ser reduzido em 75%

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Com a crise financeira a fazer disparar o desemprego na União Europeia, os bancos alimentares são o refúgio para 13 milhões de pobres obterem as refeições diárias. Beneficiam de um programa criado, há 25 anos, com base nos excedentes de stocks da Política Agrícola Comum.

Mas com a diminuição desses excedentes, a Comissão passou a adquirir os bens no mercado. Numa reunião dos ministros da Agricultura em Bruxelas, o governo de Berlim insistiu no fim deste programa.

As organizações de apoio aos carenciados poderão vir a receber apenas um quarto dos 500 milhões de euros previstos para 2012.

“Se não tivermos uma base mínima de farinha, leite, massas, será tudo muito difícil. Não sei como vamos conseguir”, disse à Euronews Simone Galand, presidente do Resto do Coeur, que fornece 600 refeições diárias no coração de Bruxelas.

A Alemanha e a Suécia levaram o caso ao Tribunal de Justiça Europeu, que lhes deu razão, em Abril passado. Mas no terreno, as organizações temem uma crise humanitária.

“Em algumas situações, enfrentamos sérias carências. Temos de dizer às pessoas, às vezes grandes famílias, que só podemos dar um pão, um ou dois litros de leite”, explica o voluntário Daniel, que já viveu 15 meses nas ruas.

O comissário para a Agricultura fez propostas que permitiam contornar a decisão do Tribunal. Mas seis estados-membros estão contra o programa e insistem que não deve absorver fundos comunitários.

“As políticas sociais são da competência dos estados-membros e pensamos que aí devem permanecer”, afirmou o ministro da Agricultura do Reino Unido, Jim Paice.

A Comissão argumenta que cabe aos governos mostrarem solidariedade e vontade política. O tema poderá integrar a agenda do Conselho Europeu, em Outubro.