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Dispersão cisjordana analisada por um geógrafo palestiniano

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Dispersão cisjordana analisada por um geógrafo palestiniano

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A declaração de um Estado palestiniano nas Nações Unidas suscita uma questão primordial: em que território se vai estabelecer esse Estado? Quais vão ser as fronteiras?

É difícil responder quando cada metro quadrado é reivindicado por todos.

Os mapas indicam quais as zonas sob controlo da Autoridade Palestiniana especialmente dispersas.

Khalis Tafakji dirige a Casa do Oriente em Jerusalém, concretamente o departamento de mapas e de vigilância, que tem a missão de acompanhamento da expansão dos colonatos judeus, o uso da terra e dos recursos freáticos em Jerusalém e na Cisjordânia.

Khalil Tafakji:

“- Um breve olhar para o mapa chega para constatar que Israel cortou o território em três partes: norte, centro e sul, de modo que um palestiniano que queira ir a uma das três partes, tem de passar obrigatoriamente por postos de controlo israelitas ou por túneis. Como acontece por exemplo em Jerusalém e a periferia, Qalquilia e Ramallah com os respetivos bairros, tanto a norte como a sul.”

Desde 1967, Israel construiu praticamente sem interrupção, 130 colonatos na Cisjordânia. O número de colonos, 4.400 em 1977, multiplicou-se desde 1992, e agora ultrapassa os 300 mil.

Khalil Tafakji:

“- Vai ser muito difícil fazer partir 500 mil colonos que vivem em mais de 100 mil habitações. Israel colocou-nos diante do facto consumado e cabe aos palestinianos encontrar soluções adequadas.”

Uma das soluções pode ser a troca de terras entre israelitas e palestinianos. Mas para Khalil Tafakji, há riscos:

KT: “- Pode acontecer que os israelitas expulsem os palestinianos que vivem em Israel para os territórios e fiquem com as terras boas e com recursos de água. “.

A questão da partilha de terra é mais uma que se junta à coabitação complicada de religiões num espaço particularmente pequeno.

O nosso enviado especial considera que “o reconhecimento de um Estado palestiniano pelas Nações Unidas não quer dizer grande coisa pois os colonatos da Cisjordânia constituem um obstáculo à criação de um Estado palestiniano”.