Última hora

Última hora

Bancos europeus preparados para a crise grega

Em leitura:

Bancos europeus preparados para a crise grega

Tamanho do texto Aa Aa

As bolsas europeias começaram a semana num clima de clara recuperação, depois de algumas garantias, dadas durante o fim de semana, de que iriam ser postas em marcha novas medidas de combate à crise das dívidas da eurozona, depois de novas preocupações com a dívida grega.

Apesar desta pausa para respirar, a situação da Grécia continua a ser o centro das atenções e a gerar muita preocupação, sobretudo no setor bancário.

“A situação, tal como está a evoluir, pode significar um novo incumprimento por parte da Grécia, que seria ainda mais grave do que se pensava antes, já que a dívida grega ficaria ao nível da cotação que tem nos mercados, ou seja, metade do valor nominal, o que pode ter consequências muito graves no setor financeiro”, diz o analista François Chaulet, da Montségur Finance.

Os bancos lideraram os ganhos, esta segunda-feira, com destaque para o francês BNP-Paribas.

A respeito do desafio que a Grécia representa neste momento, o editor económico da euronews, Annibale Fracasso, falou com o presidente da Federação Europeia de Bancos, Guido Ravoet.

euronews: O cenário de uma falência da Grécia parece não ter mais oposições e pode mesmo concretizar-se esta semana. Os bancos europeus podem vir a perder 21 a 50% do valor que detêm, em termos de obrigações do Estado. Os bancos europeus estão preparados para este cenário?

Guido Ravoet: Penso que é preciso medidas, da parte das autoridades, que sejam claras e resolvam o problema a fundo, para que os mercados financeiros e os investidores voltem a ter confiança. Os bancos europeus podem assumir essa perda de valor sem que percam em importância.

euronews: Há um receio, da parte dos investidores, em relação à solidez do sistema bancário europeu. Quase todos pedem uma recapitalização. Mas como e a que preço?

Guido Ravoet: Os bancos europeus respondem muito bem às solicitações e às exigências em termos de capital, passaram há alguns meses por um “stress test” muito rígido, que tinha em conta os efeitos de um cenário em que a crise soberana sofreria perdas de valor. Os bancos europeus passaram muito bem este “stress test”, por isso não há razões para nos preocuparmos com a solvência e com a solidez dos bancos europeus. Agora como recapitalizar, isso vão ser os mercados a dizer.

euronews: A falência do banco americano Lehman Brothers em setembro de 2008 está ainda na memória de todos. O senhor, na qualidade de presidente da Federação Europeia de Bancos, pode dar garantias de solidez das instituições europeias de crédito?

Guido Ravoet: Penso que o cenário Lehman Brothers não pode repetir-se porque, entretanto, houve um contacto a nível internacional, a nível europeu, houve instrumentos que se criaram, há autoridades de controlo e supervisão bancária e dos mercados financeiros a nível europeu. Nada disso existia quando o Lehman Brothers faliu.

Penso que estamos no bom caminho, mas vamos precisar de instrumentos que permitam tomar e implementar as decisões, porque é importante reduzir, no futuro, o tempo que demora entre a tomada das decisões e o momento em que elas são, finalmente, implementadas.