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Recursos energéticos do Mediterrâneo acentuam divisões entre Turquia e Chipre


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Recursos energéticos do Mediterrâneo acentuam divisões entre Turquia e Chipre

Aumenta a tensão entre Turquia e Chipre. Ancara anunciou que vai começar a explorar gás ao largo da costa mediterrânica, onde Chipre iniciou perfurações na semana passada.

O anúncio da Turquia é visto como uma provocação na disputa pelos Recursos do Mediterrâneo e está a pôr em causa a retoma das negociações de paz sobre a ilha dividida de Chipre.

Para as autoridades de Nicósia, Chipre tem legitimidade para proceder às perfurações, mas Ancara considera que primeiro é necessário que a questão do estatuto da ilha seja resolvida.

Entrevistado pela euronews em Bruxelas, o vice-primeiro-ministro e porta-voz do governo turco, Bulent Arinç defendeu que “a Turquia não pode ficar sentada a observar o que está a acontecer. Também temos interesses económicos”, acrescentou. Vamos utilizar o nosso direito para procurar petróleo nessas águas.”

Descoberta de gás em jazida marinha divide ainda mais a ilha de Chipre

O navio “Piri Reis” zarpou de Izmir, na sexta-feira, passada sem temer a tempestade diplomática que se abate sobre o Mediterrâneo Oriental por causa dos recém descobertas jazidas de gás.

A missão deste navio turco de investigações sismográficas é explorar jazidas de hidrocarbunetos nas águas do norte da ilha da Chipre.

Ancara reage assim à decisão da Chipre de iniciar as prospeções na zona económica exclusiva, depois de um acordo com Israel. A companhia texana “Noble Energy” obteve a concessão.

O problema é que Chipre está dividido desde a invasão turca do norte da ilha, em 1974.

Ancara só reconhece a entidade norte, isto é, a República Turca da Chipre do Norte, e não aceita que a República da Chipre, reconhecida a nível internacional e membro da União Europeia faça prospeções, até que a ilha não esteja reunificada.

A origem deste conflito remonta à descoberta por Israel de uma enorme jazida, Leviatan, em águas do mediterráneo oriental, entre as águas territoriais de Israel, Líbano e Chipre.

Nicosia começou as prospeções marinhas no sudeste da Chipre, perto da jazida que se encontra em águas israelitas.

O que está em jogo é enorme, como explica o diretor geral da “Delex Energy”, um dos sócios israelitas de “Noble Energy”.

Gideon Tadmor:

“- É a maior jazida marinha de gás natural do mundo descoberta nas últimas décadas. E, obviamente, para o Estado de Israel é ainda mais importante, por poder ser a base para um projeto de exportação de gás natural do Estado de Israel para a Europa ou para Ásia.”

Nicosia assinou com Israel um acordo a delimitar as zonas económicas exclusivas entre os dois países para continuar a procurar outras jazidas submarinas, apesar disso envenenar ainda mais as péssimas relações dos dois países com Turquia.

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