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Cimeira UE/Parceria de Leste ensombrada por tensões com Ucrânia e Bielorrússia

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Cimeira UE/Parceria de Leste ensombrada por tensões com Ucrânia e Bielorrússia

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O sucesso da cimeira da União Europeia (UE) com a Parceria de Leste está a ser ensombrada pela resistência da Ucrânia em dar provas a Bruxelas do seu comprometimento com o regime democrático.

A assinatura do acordo de associação comercial com Kiev, uma das principais apostas diplomáticas da presidência polaca da União, tem sido ameaçada pelo julgamento de Yulia Tymoshenko.

Bruxelas critica as motivações políticas que parecem estar por detrás da acusação de abuso de poder da ex-chefe de Governo, quando assinou um acordo com a Rússia para comercialização de gás.

“Os políticos europeus estão sempre a dizer-nos que há um problema com o estado de direito na Ucrânia e, obviamente, que um dos casos mais apontados tem a ver com a ex-primeira-ministra Yuliya Tymoshenko. Mas a União Europeia também chama a atenção para outras duas dezenas de pessoas que estão sob investigação, por terem trabalhado com o anterior governo de Tymoshenko”, explicou à Euronews Olga Shumylo-Tapiola, analista do think tank Carnegie Europe.

As relações da União Europeia são ainda mais tensas com a Bielorrússia. A repressão levada a cabo pelo Presidente Alexander Lukashenko

contra os seus opositores, nas eleições do ano passado, esfriou o clima entre Bruxelas e Minsk.

As promessas de Lukashenko de libertar presos políticos são vistas como um aceno no sentido de retomar um diálogo mais sereno com a União Europeia.

Mas o líder bielorrusso não foi convidado para cimeira e, em tom de represália, decidiu fazer-se representar ao nível de um embaixador.

Alguns estados-membros, como o Reino Unido, poderão mesmo renovar de viva voz as críticas em matéria de violação de direitos humanos no país, o que é aclamado pela oposição bielorrusa.

“Temos informações sobre casos de tortura que nos chegam através de pessoas recentemente libertadas e que sofreram esse tratamento na prisão. A libertação dos restantes prisioneiros políticos e a recuperação do seu bom nome é a principal condição para promover a aproximação entre a UE e a Bielorrússia”, afirma Olga Stuzhinskaya, membro da Representação para uma Bielorrússia Democrátiaca, com sede em Bruxelas.

A União Europeia está a estudar novas sanções e decidiu reunir, à margem da cimeira, com membros da oposição bielorrussa. Um sinal de que a aproximação ao leste é um objetivo político que não será obtido a qualquer preço.

A iniciativa da Parceria de Leste tomada, em 2009, pela Polónia e pela Suécia, visa estabilizar a relação com vizinhos com um passado recente atribulado na construção de regimes democráticos credíveis.

Mas para alguns países entusiastas da adesão à União Europeia, como a Moldávia e a Geórgia, a cimeira deve marcar um passo em frente com a abertura das negociações para futuros acordos de associação comercial.