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Fim dos privilégios dos funcionários públicos na Grécia

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Fim dos privilégios dos funcionários públicos na Grécia

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São cerca de 800 mil embora não haja números oficiais. Durante 30 anos, os funcionários públicos gregos beneficiaram de políticas complacentes tanto da direita como da esquerda.

Depois da ditadura dos coronéis, nos anos 80, a política de contratações foi contínua. E se os funcionários públicos contribuíram para o aumento do défice, agora são eles os mais afetados pelas medidas de austeridade.

Haralambos Koutalakis, especialista em dministração na Universidade de Atenas:

“- Ao longo dos anos, os dois grandes partidos criaram um vasto setor público a base de contratações ditadas pelo clientelismo, e isso é algo difícil de mudar, porque requer uma reorganização completa do planeamento dos funcionários e do modo de trabalhar no setor público”.

Atualmente, os funcionários públicos representam 20% da população ativa e têm o emprego garantido por lei até à reforma.

O plano de austeridade contempla cortes de 20% nos salários e no número de efetivos daqui até 2015.

A primeira fase consiste na criação de uma reserva de mão de obra, ou o que é o mesmo, o desemprego técnico obrigatório de 30 mil funcionários públicos que vão receber durante um ano 60% dos salários anteriores ao despedimento, no caso de alguns, ao cabo de um ano.

Outro ponto envolvido em nebulosa é a situação financeira dos funcionários públicos. Na Grécia o salário mínimo é de cerca de 700 euros. O salário base de um funcionário público com o mínimo de qualificação é de 800 euros, embora com os prémios chega aos 1.300 euros. Para o Governo, qualquer reforma neste setor vai ser extremamente complexa, como refirma o escilista académico:

“Há uma grande quantidade de eleitores dos dois grandes partidos que trabalham no setor público e estas medidas vão, inegavelmente, ter um custo político. Neste momento, os gregos estão sem perspetivas, não vêem como vão sair da crise e isso é muito importante, é um fator que explica muitas coisas. Explica por exemplo a importância do consenso, e da vontade de ultrapassar isto tudo. Acho que é um trabalho duro para qualquer Governo, mas acho que têm de o levar a cabo”

Chegar a consenso sobre medidas tão drásticas parece impossível. Os gregos, funcionários públicos ou não, estão completamente asfixiados pela crise, e os sacrifícios que se vêem obrigados a fazer talvez nem sequer sejam suficientes para impedir a bancarrota.