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"Indignados" entraram no território belga a 3 dias da manifestação

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"Indignados" entraram no território belga a 3 dias da manifestação

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O clima sombrio hoje em Kurtrijk, a 80 km de Bruxelas, contrastava com o tempo quente que se fazia sentir em Madrid, a 26 de Julho. Mas os membros do movimento 15 de Maio, conhecidos tambem por “indignados”, estão convictos do mérito da marcha entre a capital espanhola e a capital belga, onde esperam chegar no sábado, dia 8 de outubro.

“Se é considerado loucura ir a pé de Madrid a Bruxelas, então podem chamar-me louco”, disse à Euronews Luis Rodriguez. “Esperas três ou quatro “gatos pingados”, mas chegados aos acampamentos vemos que o número de pessoas não pára de se multiplicar”, acrescentou o jovem espanhol.

O movimento constesta as medidas de austeridade económica, que fizeram aumentar o desemprego e a exclusão social. Pede também uma democracia mais participativa, o combate à corrupção e ao capitalismo selvagem, mas não há uma estrutura de organização formal.

“Não somos um movimento político, não temos um programa. Constatamos que há uma fosso cada vez maior entre os eleitos e o povo, são pessoas nas quais não nos reconhecemos. Tem de se irrigar o terreno social como se irriga o terremo geológico e é assim que nascem as marchas”, explicou o francês Gael Herbert.

Aos indignados espanhóis, juntaram-se franceses, alemães, holandeses e adeptos de outras nacionalidades que contam com a solidariedade de quem visita os acampamentos.

“Recebemos apoio de toda a gente, comida de graça. Em meados de Agosto não podíamos imaginar que íamos ter frio: as roupas que usamos agora foram-nos oferecidas. Estou encantado com tudo isso”, afirmou o espanhol Pablo Lobelle.

O movimento encontrou inspiração no manifesto escrito, há 80 anos, pelo francês Stéphane Hessel, sobrevivente do nazismo. Mas pretendem fazer propostas concretas para responder aos problemas actuais.

“Em todas as cidades e vilas pelas quais passámos em França recolhemos informações e propostas das pessoas, que vamos coligir para entregar à Comissão Europeia”, referiu o francês Thierry Le Corff.

Além do grande protesto do dia 8, onde se esperam pelo menos um milhar de pessoas, serão realizadas assembleias em vários pontos de Bruxelas até ao dia 15. É a data em que “indignados” de uma centena de cidades, em todo o mundo, vão participar na manifestação transnacional.